O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, visitou Ceuta nesta sexta-feira e afirmou que a prioridade do governo é “restaurar a normalidade o mais rápido possível”.
Por Redação, com ANSA – de Madri
Cerca de 60 mil imigrantes chegaram a Ceuta entre quinta e esta sexta-feira, enquanto pelo menos 43 pessoas morreram ao tentar atravessar o mar entre Marrocos e o enclave espanhol durante a nova crise migratória que atingiu a região nos últimos dias.

A informação foi divulgada pelo prefeito-presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, que classificou a situação como “insustentável” e pediu uma resposta urgente das autoridades espanholas.
Segundo Vivas, as estimativas indicam que cerca de 60 mil pessoas teriam entrado em Ceuta nas últimas horas, número equivalente a aproximadamente 70% da população do enclave.
– É como se 34 milhões de pessoas entrassem na Espanha em 24 horas – afirmou, destacando a pressão sobre os serviços locais e o sentimento de insegurança entre os moradores.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, visitou Ceuta nesta sexta-feira e afirmou que a prioridade do governo é “restaurar a normalidade o mais rápido possível”, mantendo a cooperação com o Marrocos e reforçando os controles fronteiriços.
Sánchez classificou as entradas em massa como “deploráveis” e disse que houve uma violação da integridade territorial de uma cidade espanhola.
Como medida imediata, o governo espanhol anunciou a instalação de barreiras flutuantes na área marítima próxima ao quebra-mar da fronteira, com o objetivo de dificultar novas chegadas por mar e facilitar os procedimentos de retorno dos migrantes.
Fontes locais relataram que mais de 25 mil migrantes que chegaram a Ceuta nos últimos dias já foram repatriados para o Marrocos, observando que “as partidas ocorrem a um ritmo de 150 pessoas por minuto”.
A Guarda Civil informou que o número de corpos encontrados nas águas próximas a Ceuta chegou a 24 após novas buscas. Muitos dos migrantes tentaram alcançar o território espanhol nadando a partir da costa marroquina, enfrentando fortes riscos durante a travessia.
A crise provocou o colapso temporário da capacidade de acolhimento do enclave. Centenas de pessoas, incluindo muitos menores de idade, passaram a noite em parques, áreas públicas e estacionamentos enquanto as autoridades buscavam alternativas de atendimento humanitário.
O governo espanhol afirmou que aplicará os acordos migratórios firmados com Marrocos para realizar repatriações, garantindo o respeito aos direitos fundamentais e procedimentos diferenciados para adultos e menores. Segundo autoridades espanholas, milhares de menores estão entre os recém-chegados.
A crise em Ceuta gerou manifestações de autoridades europeias. O chanceler alemão Friedrich Merz afirmou que o Marrocos deve “readmitir imediatamente” migrantes irregulares e defendeu o reforço das fronteiras externas da União Europeia.
A comissária europeia para o Mediterrâneo, Dubravka Suica, declarou que uma cooperação mais forte entre a União Europeia e Rabat é essencial para combater redes de tráfico de pessoas.
França
Já a França anunciou o reforço dos controles na fronteira com a Espanha, enquanto a Itália avaliou medidas relacionadas ao espaço de livre circulação europeu. O ex-alto representante da União Europeia para Relações Exteriores, Josep Borrell, afirmou que um país-membro não pode suspender unilateralmente a participação de outro no Acordo de Schengen.
Em meio à crise migratória, as autoridades marroquinas ampliaram a presença policial na região de Fnideq, cidade próxima a Ceuta, utilizando barreiras e operações de controle para conter novas tentativas de travessia.
Também houve confrontos nas áreas próximas às fronteiras de Ceuta e Melilla. Organizações de direitos humanos relataram episódios de violência envolvendo grupos de migrantes e forças de segurança marroquinas.
A passagem fronteiriça de Beni-Enzar, entre Marrocos e Melilla, permaneceu fechada após tentativas de entrada em massa.
Autoridades locais afirmaram que a situação em Melilla foi menor em escala do que a registrada em Ceuta.
Diante da crise, Ceuta suspendeu as celebrações de sua padroeira, previstas para agosto. Vivas afirmou que a decisão foi tomada devido ao clima de “incerteza, instabilidade e preocupação”.
A Igreja local anunciou apoio às ações humanitárias, com mobilização de recursos e voluntários para atender os migrantes.
Enquanto isso, o governo espanhol atribuiu parte da crise à atuação de redes de tráfico de pessoas, que teriam incentivado as travessias após interpretações sobre decisões judiciais envolvendo repatriações.