A série histórica apresentada pelo instituto mostra uma tendência de aproximação entre os dois candidatos ao longo dos últimos meses.
Por Redação – de Brasília e São Paulo
Extremamente polarizado, o cenário eleitoral brasileiro indica um eventual segundo turno das eleições presidenciais de 2026 bastante equilibrado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), ou filho ’01’ como é também conhecido. Segundo levantamento do instituto Paraná Pesquisas divulgado nesta quinta-feira, Lula soma 44,8% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro chega a 42,2%. Considerando a margem de erro de 2,2 pontos percentuais, o resultado caracteriza empate técnico entre os candidatos.

A série histórica apresentada pelo instituto mostra uma tendência de aproximação entre os dois candidatos ao longo dos últimos meses. Em outubro de 2025, Lula aparecia com 46,7% contra 37% de Flávio Bolsonaro. Desde então, a diferença tem caído de forma contínua, até alcançar o atual cenário de equilíbrio.
Além do confronto com ’01′, o estudo também testou outras hipóteses de segundo turno sempre com Lula na liderança. Em disputas contra Tarcísio de Freitas e Ratinho Junior, o presidente também aparece numericamente à frente, mas sempre dentro de margens que indicam disputas competitivas.
Corrida
A pesquisa ainda avaliou a percepção do eleitorado sobre uma eventual reeleição de Lula. Segundo os dados, 45,3% dos entrevistados afirmam que o presidente merece um novo mandato, enquanto 51% dizem que ele não deveria ser reeleito, revelando um eleitorado dividido às vésperas do ciclo eleitoral de 2026.
O estudo foi realizado entre os dias 25 e 28 de janeiro de 2026, com 2.080 eleitores entrevistados presencialmente em 160 municípios distribuídos pelos 26 estados e pelo Distrito Federal. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral e apresenta grau de confiança de 95%.
Evidentemente, o presidente Lula acompanha o desenvolvimento das tendências eleitorais e percebe que em São Paulo será decisiva a construção de um palanque competitivo para a centro-esquerda, no Estado. A avaliação no Palácio do Planalto, segundo apurou o canal norte-americano de TV CNN, é de que o desempenho paulista terá reflexos diretos na corrida presidencial, especialmente se a disputa pelo governo paulista for definida já no primeiro turno.
Estratégia
Na análise do presidente, uma eventual reeleição do governador Tarcísio de Freitas ainda na primeira etapa do pleito daria à direita uma vantagem estratégica no plano nacional. A preocupação central de Lula é que, sem a necessidade de enfrentar um segundo turno estadual, Tarcísio teria mais tempo e capacidade de articulação política para atuar diretamente na eleição presidencial.
Nesse cenário, o governador poderia mobilizar prefeitos e vereadores paulistas em favor do candidato da direita, ampliando o alcance da campanha nacional. Por esse motivo, Lula tem defendido a escolha de um nome capaz de levar a disputa em São Paulo para o segundo turno, repetindo o cenário de 2022.
O presidente tem insistido na possibilidade de o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, assumir a candidatura, lembrando que ele conseguiu estender a eleição estadual para a etapa final no último pleito. Haddad, no entanto, demonstra resistência em deixar o cargo no governo federal para entrar novamente na disputa paulista, posição que vem gerando incômodo no presidente.
Reeleição
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), por sua vez, confirmou nesta quinta-feira que pretende disputar a reeleição ao comando do Palácio dos Bandeirantes. A declaração foi feita após uma visita a Jair Bolsonaro (PL), em Brasília, e ocorre no momento em que o cenário eleitoral de 2026 começa a ganhar contornos mais definidos no campo da direita.
No encontro, realizado na unidade prisional conhecida como “Papudinha”, Tarcísio também reiterou publicamente seu apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Segundo o governador, a decisão de permanecer focado na política paulista não é recente e vem sendo discutida há anos com aliados.
— A gente conversa sobre isso desde 2023, que meu interesse é ficar em São Paulo. Isso não tem controvérsia nenhuma, eu tenho uma linha de coerência. Tenho comprometimento ao estado de São Paulo. Sou grato ao estado de São Paulo — resumiu o governador.