Rio de Janeiro, 11 de Setembro de 2026

Economia brasileira registra deflação, puxada pela conta de luz

Também houve reduções nos preços de passagem aérea (-13,17%), parte dos alimentos e combustíveis.

Sexta, 11 de Setembro de 2026 às 17:49, por: CdB

Também houve reduções nos preços de passagem aérea (-13,17%), parte dos alimentos e combustíveis.

Por Redação – do Rio de Janeiro

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou deflação em agosto ao registrar taxa de -0,32%, apontaram dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado foi puxado para baixo pela queda da conta de luz (-7,63%) sob impacto temporário do bônus de Itaipu. Também houve reduções nos preços de passagem aérea (-13,17%), parte dos alimentos e combustíveis.

Em uma situação hipotética, sem a conta de luz, o índice teria sido positivo.

A deflação ocorre quando um índice cai em determinado período. É o contrário da inflação – alta do custo de bens e serviços. O IPCA havia subido 0,07% em julho. A queda registrada em agosto (-0,32%) foi mais intensa do que a prevista na mediana das projeções do mercado financeiro (-0,28%), segundo a agência norte-americana de notícias Bloomberg.

Esta foi a primeira deflação do IPCA em um ano, desde agosto de 2025 (-0,11%), e a maior em quatro anos, desde agosto de 2022 (-0,36%). No acumulado de 12 meses, o índice passou a registrar inflação (alta) de 4,22%. Houve desaceleração —perda de força— na comparação com julho (4,44%).

Teto previsto

Assim, o IPCA permaneceu abaixo do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo Banco Central (BC) pelo segundo mês consecutivo. A expectativa era de deflação em agosto devido principalmente à aplicação do bônus de Itaipu. Trata-se de um alívio temporário que tende a ser revertido já a partir de setembro na conta de luz.

O bônus é distribuído a milhões de consumidores todo ano. O crédito é calculado com base no saldo da conta de comercialização de energia de Itaipu no ano anterior. A queda dos preços da energia elétrica (-7,63%) gerou um impacto de -0,33 ponto percentual no IPCA de agosto.

Em uma situação hipotética, sem a conta de luz, o índice teria sido positivo, calculado em 0,01%, disse Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa do IBGE. Analistas chamam a atenção para a existência de riscos no cenário. Um deles é o fenômeno climático El Niño, que desafia o agronegócio ao alterar a distribuição das chuvas.

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