A aeronave realizava uma missão de rotina para fotografar o navio quando um dos projéteis passou perto.
Por Redação, com Reuters e ANSA – de Copenhague
Uma fragata russa disparou dois foguetes de sinalização contra um helicóptero militar dinamarquês em águas internacionais ao largo da Dinamarca na segunda-feira, passando muito perto da aeronave, informaram as Forças Armadas do país nórdico, membro da Otan.

A região do Mar Báltico está em alerta máximo após incidentes envolvendo interrupções em gasoduto, violações do espaço aéreo e avistamentos de drones desde a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia em 2022, o que aumentou as tensões entre Moscou e o Ocidente.
O helicóptero militar Fennec estava em uma missão de rotina para fotografar a fragata russa, informou o comando de defesa dinamarquês em um comunicado na noite de segunda-feira.
Um dos sinalizadores — dispositivos pirotécnicos geralmente usados como sinal de alerta no mar — passou perto do helicóptero, informou o comando de defesa.
A embaixada russa não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, disse que o incidente foi grave, mas não surpreendente, classificando-o como parte de um padrão em que uma Rússia cada vez mais agressiva intensificou sua guerra híbrida contra a Europa e está testando a Otan.
– A Rússia quer semear medo e discórdia. Nossa resposta é nos unirmos ainda mais e fortalecer a defesa da Dinamarca e da Europa – declarou ela em comunicado.
Ataques híbridos são normalmente classificados como incidentes de agressão que não chegam a ser atos de guerra.
Itália
O embaixador de Moscou na Itália, Alexei Paramonov, classificou como um sinal de possível mudança de postura do governo italiano a reunião realizada na segunda-feira, em Milão, entre o vice-premiê e ministro dos Transportes, Matteo Salvini, e empresários italianos com negócios na Rússia.
Segundo o diplomata russo, o encontro “marca o início de um retorno do establishment italiano ao realismo, ao pragmatismo e ao bom senso”.
Em comunicado publicado no canal da Embaixada da Rússia no Telegram, Paramonov afirmou ainda esperar que as opiniões apresentadas pelos empresários sejam levadas ao conhecimento de outras autoridades de alto escalão do governo italiano e dos ministros competentes.
Salvini reuniu-se com uma delegação de empresários italianos que atuam no mercado russo, acompanhados por Vittorio Torrembini, presidente da associação Gim Unimpresa, responsável pela organização do evento.
Na avaliação de Paramonov, os empresários, com base em sua experiência direta, percebem a redução das oportunidades comerciais desde a adoção das sanções da União Europeia contra Moscou após o início da guerra na Ucrânia.
O diplomata afirmou ainda que as medidas provocaram uma forte redução da cooperação energética entre Rússia e Itália e contribuíram para a queda do comércio bilateral, cujo volume caiu quase dez vezes.
– Não parece possível substituir, na matriz energética italiana, os volumes de recursos energéticos a preços acessíveis que anteriormente vinham da Rússia. Tampouco é possível identificar, de forma rápida e eficaz, novos mercados para as exportações tradicionais italianas – acrescentou Paramonov.
O representante do governo de Vladimir Putin também defendeu a retomada das relações econômicas entre os dois países, tendo em vista que, na Itália, “há uma crescente consciência de que o caminho adotado foi um erro e de que seria apropriado começar a considerar formas de restaurar e revitalizar as relações econômicas com a Rússia ? vínculos que foram precipitadamente cortados”.
As declarações ocorreram um dia depois de Salvini afirmar que a Itália poderia voltar a importar gás russo após o fim da guerra na Ucrânia.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, respondeu que a Rússia poderia retomar o fornecimento de gás à Europa Ocidental no futuro, desde que a operação seja economicamente vantajosa para Moscou e que haja volumes disponíveis.
– Se tais fornecimentos forem vantajosos ? antes de tudo ? e se for possível reservar os volumes de gás necessários – afirmou Peskov, segundo a agência Interfax.
O porta-voz ressaltou que grandes volumes de gás russo já foram direcionados a outros mercados, em razão da mudança nos fluxos de exportação provocada pelas sanções e pela redução das compras europeias.
Salvini, líder da Liga, era um admirador declarado de Putin antes do início da guerra e também já expressou ceticismo em relação à política de apoio militar da Itália e de outros países europeus à Ucrânia.