Depoimento de Cabral complica a vida do ministro Dias Toffoli
No depoimento à Polícia Federal, Cabral acusa o ministro Antonio Dias Toffoli de participar de um esquema de venda de sentenças judiciais. Toffoli nega qualquer envolvimento com o caso que aponta a troca de sentenças no STF e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
No depoimento à Polícia Federal, Cabral acusa o ministro Antonio Dias Toffoli de participar de um esquema de venda de sentenças judiciais. Toffoli nega qualquer envolvimento com o caso que aponta a troca de sentenças no STF e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Por Redação - de Brasília
Em julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), em plenário virtual, o recurso da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra a validade da delação do ex-governador do Rio de Janeiro Sergio Cabral já conta com três votos. Dois deles pela anulação do acordo entre o réu e a Polícia Federal (PF), mas o ministro Roberto Barroso abriu a divergência.
No depoimento, Cabral acusa diretamente o ministro Dias Toffoli de receber propina no valor de R$ 4 milhões
No depoimento à Polícia Federal, Cabral acusa o ministro Antonio Dias Toffoli de participar de um esquema de venda de sentenças judiciais. Toffoli nega qualquer envolvimento com o caso que aponta a troca de sentenças no STF e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e diz desconhecer os fatos citados pelo ex-governador, que cumpre sentença com mais de 300 anos de prisão.
Cabral fez a confissão em vídeo, juntado ao material que a PF encaminhou ao Supremo, que inclui ainda e-mails, agendas e registro de reuniões, além da análise de decisões do magistrado que teriam beneficiado os citados.
Modus operandi
Cabral relatou à PF, em 14 de setembro do ano passado, possíveis pagamentos de propina a Toffoli, depositados pelos prefeitos de Volta Redonda e Bom Jesus de Itabapoana, no Estado do Rio. A propina totalizaria R$ 4 milhões e teria sido intermediadas pelo ex-policial José Luiz Solheiro.
— Participei da articulação para salvar o mandato do prefeito Francisco Neto, em Volta Redonda. Mas o mesmo modus operandi aconteceu com José Luiz Solheiro e tive a informação que se repetiu com a prefeita Branca Mota, de Bom Jesus, no noroeste fluminense — relata Cabral.
Ainda segundo o ex-governador, “em 2014, Branca me relatou que tinha sofrido uma derrota no TRE, estava recorrendo ao TSE e encontrou no José Luiz Solheiro”.
— Vale dizer que herdei Solheiro da Rosinha Garotinho, ele era assessor do governo e permaneceu comigo. O próprio ministro Dias Toffoli, com quem falei ao telefone, o validou como uma pessoa de confiança — afirma Cabral no vídeo gravado pela PF.