Rio de Janeiro, 04 de Agosto de 2026

Danúbio em baixa ameaça energia no leste europeu

Calor e estiagem reduzem níveis do Danúbio, provocam desligamento de reatores e redução de atividades de usinas nucleares na Hungria e Romênia, além de levar população e indústria a cortar consumo de energia.

Terça, 04 de Agosto de 2026 às 11:13, por: CdB

Calor e estiagem reduzem níveis do Danúbio, provocam desligamento de reatores e redução de atividades de usinas nucleares na Hungria e Romênia, além de levar população e indústria a cortar consumo de energia.

Por Redação, com DW – de Bruxelas

O calor prolongado e a seca deste ano levaram o rio Danúbio, que atravessa 10 países na Europa Central e Oriental, e outras hidrovias da região a níveis recordes de baixa, levando a um quadro de desabastecimento e escassez de energia.

As forças armadas romenas explodiram uma rocha que ficou à mostra com a seca do rio Danúbio para melhorar o fluxo de água

Pela primeira vez, a Hungria e a Romênia tiveram que reduzir ou desligar produção de reatores nucleares que dependem do Danúbio para resfriamento. A única usina nuclear húngara, a Paks, que tem 44 anos e fornece quase metade da eletricidade do país, por pouco não foi totalmente desligada. A opção não foi descartada, já que a previsão é de mais dias secos e quentes pela frente.

Na Romênia, a Marinha demoliu uma formação rochosa exposta pela baixa do nível da água em um braço do Danúbio, buscando melhorar o fluxo para o resfriamento da usina nuclear de Cernavoda, que normalmente fornece cerca de um quinto da eletricidade consumida no país. Toda a água utilizada para resfriar a usina vem do rio.

A operação envolve ainda afundar os destroços da rocha em um ponto estratégico do rio para, assim, ajudar a elevar o nível da água.

O ministro da Defesa romeno, Radu Miruta, afirmou que a operação foi um “sucesso” e que os militares aguardavam havia décadas uma oportunidade para acessar e demolir as rochas.

Caso o desvio parcial da água não funcione, disse Miruta, a usina provavelmente terá de ser totalmente desligada até esta quinta-feira.

O primeiro-ministro interino, Ilie Bolojan, afirmou que as montadoras Dacia e Ford concordaram em suspender a produção na Romênia até 19 de agosto, após uma reunião de crise com representantes de setores industriais intensivos em consumo de energia. Segundo ele, outras empresas deverão adotar medidas semelhantes.

Qual era a situação na usina na Hungria?

O primeiro-ministro da Hungria, Peter Magyar, afirmou que foi possível evitar na segunda-feira o desligamento total sem precedentes da usina nuclear de Paks, anunciado originalmente na semana passada.

Mas a instalação, que tem quatro reatores e normalmente gera quase metade da produção de eletricidade da Hungria e cerca de um terço do consumo do país, operava com pouco mais de 10% da capacidade na segunda.

Hungria

As autoridades húngaras pediram aos cidadãos que reduzam o consumo e economizem energia de forma voluntária, principalmente nos horários de pico. Entre as recomendações, estão evitar carregar veículos elétricos e desligar os aparelhos de ar-condicionado.

Trens de carga movidos a eletricidade também foram paralisados na segunda para reduzir a pressão sobre a rede elétrica, ao mesmo tempo que montadoras e fabricantes de baterias receberam a ordem de reduzir o consumo de energia e água.

– Entramos no período crítico. A rede está estável, o consumo está atualmente bem abaixo dos níveis planejados, graças à moderação. A última turbina de Paks está operando. Voltarei a informar em breve da sala de controle da MAVIR (operadora da rede elétrica) – disse Magyar, na segunda.

Segundo seu comunicado, “as previsões de gestão hídrica para os próximos dias se tornaram ligeiramente mais otimistas”.

Como outros países foram afetados?

Na Sérvia, a usina hidrelétrica de Iron Gate, no Danúbio, operava com apenas cerca de um quinto de sua capacidade na segunda.

O primeiro-ministro Djuro Macut convocou uma reunião de emergência para discutir os problemas energéticos.

Ele fez um apelo aos moradores para que “minimizem o uso de aparelhos de alto consumo de energia em suas casas, como ar-condicionado”, após descrever a situação como “grave e desafiadora” no fim da noite de domingo.

No Estado alemão da Baviera, a seca do Danúbio também afeta o transporte de cargas.

O novo ministro dos Transportes da Alemanha, Steffen Bilger, afirmou que os níveis historicamente baixos do Danúbio e, especialmente, do Reno – a hidrovia interna de transporte de cargas mais movimentada da Europa –, representam o primeiro desafio de seu mandato.

– É realmente uma situação muito tensa – disse Bilger à Reuters TV na segunda, acrescentando que presidirá uma reunião de crise nesta quinta-feira. “Estamos acostumados a episódios recorrentes de águas baixas, mas este é realmente um momento muito precoce do ano para os problemas que estamos enfrentando.”

Normalmente, os rios europeus atingem seus níveis mais baixos um pouco mais tarde no verão. A previsão, portanto, é de mais semanas de clima predominantemente quente e seco.

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