Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Ônibus híbridos avançam ante entraves elétricos


Segunda, 14 de Setembro de 2026 às 06:58, por: Sérgio Dias

Custo das baterias, financiamento e infraestrutura mantêm sistemas de transição no centro da renovação das frotas urbanas

Por Sérgio Dias – de São Paulo

A Driventic aponta a tecnologia híbrida como uma etapa para reduzir o consumo de combustível e as emissões dos ônibus urbanos enquanto a eletrificação integral enfrenta obstáculos no Brasil e nos demais países da América do Sul. Em entrevista para o Correio do Brasil, Lucas Rolim, head de Vendas para a América do Sul da empresa, relacionou essa transição aos custos das baterias, ao financiamento dos veículos e à infraestrutura de recarga.

Ônibus híbridos avançam ante entraves elétricos

“Em um curto prazo, a DIWA NXT com o sistema híbrido é o que vai atender melhor à nossa necessidade de mercado”, afirma Rolim. A transmissão pode receber um sistema híbrido leve de 48 V, enquanto o VEDS integra a estratégia da companhia para ônibus elétricos a bateria ou célula de combustível.

A proposta considera as condições encontradas no transporte coletivo das cidades, onde os ônibus circulam com paradas sucessivas em pontos, semáforos e congestionamentos. Veículos com ocupação entre média e completa também podem aproveitar a recuperação de energia durante frenagens e retomadas.

 

Transição nas cidades

Testes realizados com fabricantes na América do Sul registraram redução de 9% a 12% no consumo apenas com a DIWA NXT, sem o sistema híbrido. A Driventic iniciou as avaliações da configuração de 48 V e estima obter aproximadamente seis pontos percentuais adicionais, levando a redução total para uma faixa entre 12% e 18%.

O custo das baterias ainda interfere no preço dos veículos elétricos

A transmissão utiliza uma primeira marcha com funcionamento continuamente variável. O sistema evita a troca convencional entre a primeira e a segunda marcha, reduzindo trancos, vibrações e esforços sobre componentes. A característica atende operações nas quais os ônibus permanecem parte do tempo entre zero e 20 km/h.

“Além de você ter uma durabilidade maior dos componentes sem esse tranco, diminui a vibração e o cliente terá uma manutenção menor”, explica Rolim. Para o passageiro, a alteração interfere nas arrancadas e retomadas. Para o operador, pode influenciar os gastos com combustível, manutenção e tempo de disponibilidade do veículo.

 

Eletrificação e infraestrutura

O VEDS atende projetos de eletrificação integral e utiliza motor central. Rolim avalia que a solução deverá ampliar sua participação no longo prazo, conforme as cidades, os fabricantes e os operadores avancem na substituição dos ônibus movidos somente a combustíveis.

O custo das baterias ainda interfere no preço dos veículos elétricos. A disponibilidade de financiamento e a capacidade da rede elétrica para alimentar os carregadores também condicionam a renovação das frotas, especialmente em sistemas que precisam manter os ônibus em circulação durante diferentes períodos do dia.

Segundo Rolim, programas públicos podem contribuir para diminuir a diferença de custo, mas a estrutura financeira ainda representa um desafio. A evolução dos veículos tende a reduzir a energia necessária para cada operação, embora não elimine os investimentos em carregadores, garagens e fornecimento elétrico.

 

Produção no Brasil

A Driventic negocia com fornecedores brasileiros para ampliar a participação de componentes nacionais na DIWA NXT. A produção integral do sistema no país não está prevista porque o volume atual, segundo o executivo, não justificaria a localização de todos os itens.

“Já temos planos e estamos negociando com fornecedores locais para aumentar essa quantidade de conteúdo local”, informa Rolim. A empresa pretende relacionar esse processo ao fornecimento da transmissão para montadoras instaladas na América do Sul.

A Driventic tornou-se independente após sua separação da Voith, em novembro de 2025. A estrutura passou a operar com indicadores ligados ao setor automotivo e com foco na adaptação das soluções aos fabricantes de veículos comerciais.

Para Rolim, o Brasil ainda conviverá com ônibus a diesel no curto e médio prazo. A automatização das transmissões e os sistemas híbridos deverão participar desse período até que a eletrificação integral ganhe escala. “Em 2035, o que era o flex no passado será a tecnologia híbrida no futuro”, projeta.

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