Ceron disse, nesta manhã, ver possíveis ganhos para a arrecadação de tributos e para a balança comercial do Brasil com a venda de petróleo mais valorizado.
Por Redação, com ABr – de Brasília
Secretário do Tesouro Nacional, o economista Rogério Ceron afirmou, nesta segunda-feira, que o conflito no Irã pode eventualmente antecipar a parada do ciclo de cortes de juros pelo Banco Central (BC) caso se intensifique um cenário de incerteza e de repasse para preços, ponderando que o novo cenário geopolítico pode gerar mais efeitos positivos do que negativos para o Brasil.

Após a eclosão do conflito no final de semana, com ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no sábado, o Ministério da Fazenda reunirá equipes durante os próximos dias para coletar primeiras impressões e avaliar cenários com possíveis impactos para o país, acrescentou uma fonte da pasta.
Ceron disse, nesta manhã, ver possíveis ganhos para a arrecadação de tributos e para a balança comercial do Brasil com a venda de petróleo mais valorizado. O preço do petróleo subia perto de 8% na abertura dos mercados, depois que ataques retaliatórios do Irã interromperam o transporte marítimo no crucial Estreito de Ormuz, após o bombardeio do fim de semana que matou o líder supremo iraniano Ali Khamenei.
Momento
Na avaliação de Ceron, o Banco Central não deve mudar seu cenário de curto prazo porque o efeito inflacionário de uma valorização do petróleo até certo patamar é mitigado pela recente valorização do real.
— O que pode acontecer lá na frente é o momento de parada (do ciclo de corte de juros) acontecer antes, caso esse cenário de incerteza, de repasse a preços comece a ficar mais intenso — afirmou.
O executivo afirmou, no entanto, ser cedo para avaliações mais precisas, enfatizando que em cenários mais radicais, como uma disparada do barril de petróleo para acima de US$ 100, haveria de fato pressão inflacionária e outras repercussões.
Juros
O BC tem mantido a Selic em 15%, mas indicou que iniciará neste mês um ciclo de cortes de juros. A autarquia não deu sinais sobre qual será a magnitude ou o período do ciclo.
Com projeções feitas até semana passada, antes dos ataques, o boletim Focus do BC mostrou nesta segunda que o mercado passou a ver a Selic em 12% no fim deste ano, contra mediana de 12,13% da semana passada. Os juros futuros de mercado, no entanto, registravam alta nesta segunda.
O secretário acrescentou que em um ambiente de atritos geopolíticos globais, o Brasil está bem posicionado e também acaba sendo um “porto seguro” para investimentos externos, com o governo podendo diversificar emissões da dívida pública.