Rio de Janeiro, 09 de Julho de 2026

Coordenador do PT, Camilo Santana apoia diálogo com o ‘Centrão’

Para o senador, o declínio do adversário nas pesquisas amplia a disposição de partidos do chamado ‘Centrão’ em se aproximar da campanha de Lula.

Quinta, 09 de Julho de 2026 às 19:54, por: CdB

Para o senador, o declínio do adversário nas pesquisas amplia a disposição de partidos do chamado ‘Centrão’ em se aproximar da campanha de Lula.

Por Redação – de Brasília

Líder do PT no Senado e um dos coordenadores da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador Camilo Santana (PT-CE) é um dos principais articuladores nacionais e vê espaço para diálogo com partidos como União Brasil e PP, especialmente diante das crises enfrentadas pela campanha do também senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), conhecido como filho ’01’.

Camilo Santana
Ex-ministro da Educação, o senador Camilo Santana (CE) foi designado para a Liderança do PT

Para o senador, o declínio do adversário nas pesquisas amplia a disposição de partidos do chamado ‘Centrão’ em se aproximar da campanha de Lula.

— Acho que dá e Edinho tem feito isso. Vamos procurar dialogar com todos que queiram conversar. E hoje há um diálogo concreto com o União Brasil, a federação (com o PP), discutindo o futuro do Brasil e essas eleições. Tanto a discussão dos estados e também cenário nacional, inclusive para possibilidade de uma aliança ou não. Eu defendo que tem que fazer uma aliança, quanto mais tempo de televisão melhor — afirmou o parlamentar, em uma entrevista ao diário conservador carioca ‘O Globo’, nesta quinta-feira.

 

Parcerias

Questionado se seria possível fechar uma aliança com a federação União-PP, Camilo disse que o tema está colocado, mas admitiu que uma posição de neutralidade na disputa presidencial também pode ser considerada.

— Está em diálogo essa possibilidade ou a possibilidade de uma neutralidade junto a nível de presidente e aí construir as parcerias que forem possíveis nos estados brasileiros — disse.

Em sua avaliação, o senador acredita que as crises enfrentadas por ’01′ ajudaram no diálogo com partidos que antes estavam mais próximos da oposição.

— Não tenho dúvida de que isso foi que permitiu esse diálogo. A fragilidade do Flávio nas pesquisas, isso tudo ajuda, porque os partidos querem perspectiva de vitória, isso faz parte do movimento do jogo de xadrez nas eleições. Hoje eu acredito que há uma possibilidade nesse sentido. Defendo que a gente não deve fechar portas para ninguém — acrescentou.

 

Minas Gerais

Um exemplo da política de aproximação do PT a outras tendências eleitorais é a articulação da legenda em Minas Gerais, onde Santana acredita que o partido deve evitar uma candidatura própria ao governo do Estado, diante da avaliação negativa deixada pela gestão de Fernando Pimentel no Estado. Segundo o coordenador, a estratégia mais competitiva seria apoiar um nome de um partido aliado, ampliando o palanque de Lula no segundo maior colégio eleitoral do país.

Camilo afirmou que a situação em Minas é uma das principais preocupações do PT na montagem dos palanques estaduais. O senador observou que a legenda pode enfrentar dificuldades eleitorais caso insista em uma candidatura própria. 

— Esse é um dos motivos pelo quais eu defendo que não seja um nome do PT, por conta do resultado do governo do (Fernando) Pimentel. Mesmo levando em conta todas suas justificativas da época, as dívidas com a União, a avaliação do PT por lá foi muito ruim — ponderou Camilo Santana.

 

Ceará

Ao comentar sobre a futura campanha eleitoral cearense, Camilo Santana minimizou o avanço de Ciro Gomes (PSDB) nas pesquisas e afirmou que o PT trabalhará pela reeleição do governador Elmano de Freitas (PT). Ele criticou a aproximação de Ciro com setores bolsonaristas e disse que a oposição no Estado vive uma disputa marcada por contradições.

Camilo também comentou a crise entre Michelle e Flávio Bolsonaro em torno da disputa no Ceará. Para ele, a ex-primeira-dama foi coerente ao questionar o apoio a Ciro Gomes.

— A Michelle está sendo coerente. O candidato que representa o bolsonarismo no Ceará não é o Ciro, é o senador Eduardo Girão (Novo-CE). Como é que a pessoa pode se sentir? Bolsonaro foi agredido pelo Ciro. Falaram mal do marido, falaram mal dela, falaram mal dos filhos e agora é o meu candidato do Ceará? Incoerência — concluiu.

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