As restrições à circulação impostas pelas forças israelenses estão afetando a capacidade da população de ter acesso a tratamento médico e aos seus meios de subsistência.
Por Redação, com Europa Press – de Jerusalém
Cerca de 200 colonos invadiram nesta terça-feira a Esplanada das Mesquitas, localizada na Cidade Velha de Jerusalém e conhecida pelos judeus como Monte do Templo, após o recente recrudescimento da violência causado pela morte de quatro palestinos e dois israelenses em um confronto com colonos em Nablus, na Cisjordânia.

Fontes próximas ao caso informaram que os colonos começaram a rezar e a realizar “rituais provocativos” no referido complexo — o terceiro local mais sagrado do Islã — escoltados por militares israelenses, segundo informações coletadas pela agência palestina de notícias WAFA.
O “statu quo” na Esplanada das Mesquitas impede que os judeus rezem no local e autoriza apenas que o visitem em horários pré-determinados e que percorram o local por uma rota fixa, acompanhados por policiais que devem zelar para que os fiéis não rezem nem introduzam bandeiras israelenses ou objetos religiosos.
Nesta mesma terça-feira, o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) estimou em 1.330 o número de incidentes envolvendo colonos registrados no que vai do início do ano e alertou para um aumento da violência na “Cisjordânia ocupada”, onde pelo menos oito palestinos, entre eles uma criança, morreram na última semana.
Nesse sentido, denunciou em um comunicado o deslocamento de pelo menos uma dezena de famílias, além dos contínuos ataques incendiários e atos de vandalismo contra residências, propriedades, mesquitas, árvores e infraestruturas agrícolas da população palestina.
Além disso, as restrições à circulação impostas pelas forças israelenses estão afetando a capacidade da população de ter acesso a tratamento médico e aos seus meios de subsistência. “Pedimos a proteção de todos os civis e que Israel preste contas por suas violações”, afirma o documento.
Gaza
Ao menos dois palestinos morreram e vários ficaram feridos em decorrência de diversos ataques perpetrados nesta terça-feira pelo Exército de Israel contra a Faixa de Gaza, apesar do cessar-fogo acordado com o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) em outubro de 2025.
Fontes médicas citadas pelo jornal “Filastin”, ligado à milícia palestina, confirmaram uma vítima fatal e vários feridos em consequência de um ataque com drone contra o campo de refugiados de Nuseirat, no centro do enclave palestino.
Trata-se de um homem de 38 anos identificado como Ahmed Husein Kafina, conforme informou a agência de notícias palestina Sanad, que esclarece que o bombardeio ocorreu nas proximidades do mercado de Balata, em Nuseirat.
Além disso, foi registrado um ataque com drone contra uma residência no bairro de Al Rimal, na cidade de Gaza, que, segundo a Sanad, matou pelo menos uma pessoa.
Por sua vez, as Forças de Defesa de Israel (FDI) ainda não se pronunciaram sobre esses ataques, embora tenham anunciado a morte de um membro da Jihad Islâmica em um ataque lançado nesta segunda-feira em Jan Yunís, no sul do enclave palestino.
Segundo o Exército israelense, trata-se de Mohamed Jaled Mohamed Aslam, que “participou do sequestro de civis israelenses” em 7 de outubro de 2023.
“Recentemente, Aslam havia promovido planos terroristas contra as forças do Exército israelense e os cidadãos do Estado de Israel. O terrorista representava uma ameaça imediata e foi eliminado em um ataque aéreo de precisão”, afirmaram as FDI.
Apesar da trégua, mais de 1,2 mil palestinos morreram em ataques de Israel em Gaza, onde o número de mortos chega a mais de 73,3 mil desde o início da ofensiva, após os ataques perpetrados contra Israel em outubro de 2023.