Rio de Janeiro, 17 de Março de 2026

Clássico 'O Diabo Veste Prada' volta em outra realidade

A sequência de O Diabo Veste Prada traz de volta personagens icônicos em um mundo onde influenciadores e algoritmos dominam a moda. Descubra as novidades!

Terça, 17 de Março de 2026 às 12:58, por: CdB

Aguardado pelos fãs, sequência do filme de 2006 traz de volta personagens icônicos, mas para um mundo radicalmente diferente, onde influenciadores ditam tendências e algoritmos decidem quem permanece relevante.

Por Redação, com DW – de Los Angeles

Quando o trailer de O Diabo Veste Prada 2 foi lançado, no começo de fevereiro, ficou claro para os fãs do filme lançado há quase duas décadas que seus personagens icônicos estariam de volta às telonas. 

Clássico 'O Diabo Veste Prada' volta em outra realidade | De volta às telonas: Miranda (Meryl Streep, ao centro), editora de uma famosa revista de moda, ladeada por Andy (Anne Hathaway) e Nigel (Stanley Tucci)
De volta às telonas: Miranda (Meryl Streep, ao centro), editora de uma famosa revista de moda, ladeada por Andy (Anne Hathaway) e Nigel (Stanley Tucci)

Mas apesar de quase não parecerem ter envelhecido, eles já não são os mesmos. E de cara percebemos: o filme não tenta apenas reviver a nostalgia do original, mas atualiza a história e incorpora o espírito dos dias atuais, mostrando como moda e mídia se transformaram profundamente desde 2006.

O trailer acumulou mais de 222 milhões de visualizações em apenas 24 horas, um recorde comemorado pelo estúdio 20th Century nas redes — e um sinal do quanto o público quer ver de volta Miranda, Andy, Emily e Nigel.

Por que uma sequência agora?

No filme de 2006, Andy era uma jovem jornalista que assumia o cargo de assistente de Miranda, a temida e exigente editora-chefe da Runway, prestigiosa revista de moda. Ali, acabava confrontada e transformada por desafios pessoais, profissionais e éticos. 

Desta vez, o que mudou é principalmente o mundo ao qual Miranda (interpretada por Meryl Streep) retorna, para reassumir a chefia de uma publicação decadente. É um cenário onde revistas impressas lutam para sobreviver, influenciadores ditam tendências e algoritmos decidem quem permanece relevante.

O novo filme explora exatamente esse novo jogo de forças. A moda, que antes era um círculo fechado e elitista, tornou-se um mercado global de conteúdo, impulsionado por redes sociais e métricas de engajamento. 

Mas Miranda não parece ter entendido isso. No trailer, ela parece uma mulher disposta a defender velhos modelos de poder — brilhante e decidida como sempre, mas talvez cega às transformações que redefiniram a indústria —, lutando, à sua maneira inconfundível, contra o fim das revistas tradicionais.

Enquanto isso, Emily, agora CEO de um grande conglomerado de luxo, controla os orçamentos publicitários cruciais para a sobrevivência da revista de Miranda. O embate entre as duas promete ser um ponto alto do filme para quem adorou os confrontos afiados do original. Andy também retorna, mais madura e estilosa — a ponto de Miranda não reconhecê-la de imediato —, e Nigel continua sendo o eixo moral da história.

Com base no que o trailer sugere, o novo enredo provavelmente adotará um tom mais duro, atual e politizado do que o filme de 2006. 

Desde então, especialmente após o advento do movimento #MeToo, as discussões sobre abuso de poder, assédios e ambientes corporativos tóxicos ganharam visibilidade. Empresas investem mais seriamente em diversidade, bem-estar e compliance. Maus chefes correm o risco de perder não só reputação, mas também talentos.

Tolerância

Em 2006, figuras autoritárias, exigentes e às vezes abusivas como Miranda ainda eram facilmente encaradas como gênios excêntricos. Hoje, esse tipo de liderança é questionado de forma muito mais incisiva. A tolerância a abuso de poder e relações de trabalho tóxicas diminuiu.

Ao mesmo tempo, mulheres em cargos de liderança ainda caminham no fio da navalha: ou são vistas como duras demais, ou brandas demais. E ataques nas redes, body shaming e discurso de ódio ainda são uma realidade.

O novo filme é uma chance de mostrar personagens femininos em posições de poder de uma outra maneira, principalmente Miranda, para além das caricaturas do início dos anos 2000.

Mais do que nostalgia?

Além de Miranda, Andy, Emily e Nigel, os fãs do primeiro filme podem esperar reencontrar cenários marcantes, figurinos icônicos, diálogos memoráveis, novos personagens e participações especiais de grandes nomes da moda. A trilha sonora que embala o trailer traz a nostalgia de volta, com Vogue, de Madonna. 

Mas a continuação pretende ir além da repetição de fórmulas antigas. Deve ser uma mistura de ode aos fãs com sátira atualizada da indústria, celebrando sobretudo o retorno de Miranda, uma das personagens mais marcantes do cinema do século 21. Ao mesmo tempo, oferece um olhar para um futuro em que moda, poder e mídia passam por novas redefinições.

O filme estreia no Brasil em 30 de abril.

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