Essa história comovente rapidamente se tornou viral quando os dois cineastas publicaram ‘Butty’ no YouTube. O grande número de visualizações levou os dois a inscrever o filme em festivais.
Por Redação, com DW – de Berlim
O que parece um roteiro de filme aconteceu de fato com dois estudantes de cinema de Berlim: Moritz Henneberg e Julius Drost produziram um pequeno filme de animação como trabalho de conclusão da faculdade, em 2023. A história é sobre um robô doméstico que não consegue fazer bem o seu trabalho e, por isso, é mandado embora.

Essa história comovente rapidamente se tornou viral quando os dois cineastas publicaram ‘Butty’ no YouTube. O grande número de visualizações levou os dois a inscrever o filme em festivais. Mas aí veio o grande choque: eles ficaram sabendo que o filme já existia, só que com outro nome.
O que aconteceu? O estudante americano Samuel Felinton baixou o filme, fez pequenas alterações, deu a ele um novo título, T-130, e cortou os créditos originais. Com essa nova versão, ele ganhou inúmeros prêmios como suposto autor e se tornou uma pequena celebridade nos Estados Unidos.
Roteiro
Atônitos diante do plágio descarado, Moritz e Julius consultaram advogados, mas ouviram que um processo seria difícil e caro. Então eles optaram por um outro caminho: viajar para os Estados Unidos para confrontar Felinton – e filmar um documentário sobre a história.
A dupla já tinha experiência com documentários. “Logo vimos que era uma história incrível e falamos: ‘Vamos fazer um documentário sobre isso'”, diz Henneberg.
Durante a pesquisa para o filme, os dois cineastas desenvolveram uma espécie de fascínio pelo homem que havia roubado a obra deles.
— Assistimos aos vlogs dele e meio que mergulhamos no mundo dele. Para nós, ele era quase uma celebridade. Descobrimos muito sobre ele e queríamos muito encontra-lo — disse Drost.
Fascinação
Enquanto familiares e amigos reagiram com raiva, os dois permaneceram surpreendentemente calmos. Eles contam que inicialmente ficaram perplexos.
— Nossas famílias e amigos odiavam Samuel. Nós, ao contrário, queríamos entender o que realmente tinha acontecido — acrescentou.
Os dois reuniram uma equipe de filmagem e viajaram até Morgantown, na Virgínia Ocidental, a cidade universitária onde Felinton vive. Com a ajuda de um cineasta nova iorquino, que fingiu estar produzindo um documentário sobre jovens animadores, eles conseguiram ganhar a confiança de Felinton – e Henneberg e Drost finalmente ficaram cara a cara com o ladrão de sua obra.
Cenários
Os dois alemães haviam imaginado todos os cenários possíveis antes da confrontação:
— Esperávamos que ele reagisse de maneira emocional, que fugisse, chorasse, sentisse vergonha ou ficasse agressivo. Mas ele permaneceu completamente calmo. Isso foi a única coisa que não previmos. Pensávamos que todo o castelo de cartas dele iria desmoronar. Mas ele quase não mostrou emoção — disse Henneberg.
Felinton contou aos dois alemães como reduziu e “melhorou” o filme, e que foi isso que o tornou tão bem sucedido. Claro que ele iria transferir para eles o dinheiro dos prêmios que recebeu. Essa naturalidade fascinou e deixou Henneberg e Drost novamente confusos. Após a conversa, os três fizeram um churrasco juntos, comeram e ainda jogaram uma partida de basquete.
Plagiador
Muitos espectadores do documentário acusam Henneberg e Drost de terem sido complacentes demais com o plagiador. Outros elogiam exatamente isso.
— As reações foram muito divididas. Alguns disseram que deveríamos tê-lo processado ou dado um soco na cara dele. Outros disseram que mostramos uma nova forma de resolver conflitos — concluiu Drost.