Rio de Janeiro, 23 de Julho de 2026

Cientistas descobrem sistema planetário incomum na Via Láctea

O sistema inclui uma anã vermelha com cerca de 40% da massa do nosso Sol, orbitada por uma anã marrom -- um corpo celeste na fronteira entre um planeta e uma...

Quarta, 22 de Julho de 2026 às 13:32, por: CdB

O sistema inclui uma anã vermelha com cerca de 40% da massa do nosso Sol, orbitada por uma anã marrom — um corpo celeste na fronteira entre um planeta e uma estrela.

Por Redação, com Reuters – de Washington

Cientistas estão documentando um sistema planetário na Via Láctea que é ‌tão radicalmente diferente do nosso próprio sistema solar que estão tendo dificuldade em encontrar a terminologia adequada para descrevê-lo.

Novo sistema planetário desafia cientistas na Via Láctea

O sistema inclui uma anã vermelha com cerca de 40% da massa do nosso Sol, orbitada por uma anã marrom — um corpo celeste na fronteira entre um planeta e uma estrela. A anã marrom, por sua vez, é orbitada por um mundo gasoso do tamanho de Júpiter, recém-descoberto com o auxílio do Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul, localizado no Chile.

Usando nosso ⁠sistema solar como referência para definições, um corpo que orbita outro corpo que orbita uma estrela deveria ser chamado de lua — ‌ou, neste caso, de exolua, por estar além do nosso sistema solar. Mas o objeto que orbita a anã marrom não se assemelha a nenhuma das muitas luas do nosso sistema solar, todas elas mundos relativamente pequenos, rochosos ou gelados, ‌em termos de composição e tamanho.

Então, como devemos chamá-lo?

– Isso certamente será motivo de ‌debate. Em geral, a maioria dos astrônomos concorda com o termo exossatélite, pelo menos como um termo provisório ⁠até que adotemos formalmente definições para objetos como o que encontramos – disse Kevin Hoy, doutorando em astrofísica na Universidade Diego Portales, no Chile, também afiliado ao grupo de pesquisa de exoluas YEMS e autor principal do estudo publicado na revista Nature.

– Estamos realmente chegando ao limite de até onde podemos esticar os termos que inventamos para descrever o sistema solar a fim de descrever outros sistemas, neste caso – disse Hoy.

Esse sistema fica a cerca de 71 anos-luz da Terra. Um ano-luz é a distância ‌que a luz percorre em um ano, ou seja, 9,5 trilhões de km.

O exossatélite possui pelo menos 90% da massa de ‌Júpiter, o gigante gasoso que é o ⁠maior planeta do nosso sistema solar. ⁠Ele completa uma órbita ao redor da anã marrom a cada 170 dias, a uma distância de cerca de um quinto daquela ⁠que separa a Terra do Sol.

“Caixa de Pandora”

– Acho que essa descoberta abriu ‌uma caixa de Pandora para a comunidade ‌científica. Esse tipo de objeto é completamente novo e incomum, verdadeiramente diferente do que conhecemos em nosso sistema solar. Agora teremos que entender, por meio de modelos teóricos, como esses tipos de objetos se formam e se são comuns ou não – disse a coautora do estudo Alice Zurlo, astrofísica da Universidade Diego Portales e diretora do YEMS.

– Optamos ⁠deliberadamente por não chamá-lo de lua. Isso porque esse objeto não se assemelha a nenhuma lua do nosso sistema solar. Ele é muito mais massivo e não orbita um planeta — ele orbita uma anã marrom, um objeto que fica em algum ponto entre um planeta e uma estrela. Como nunca vimos um sistema exatamente como esse antes, ainda estamos tentando descobrir a melhor maneira de descrevê-lo – disse Zurlo.

Embora mais de 6,3 mil exoplanetas — ‌como são conhecidos os planetas fora do nosso sistema solar — tenham sido descobertos, encontrar exoluas tem se mostrado mais desafiador, com apenas alguns bons candidatos identificados.

Os pesquisadores estão tentando descobrir as origens do exossatélite.

– Ele pode ter se formado a partir ⁠do disco de gás e poeira ao redor da anã marrom, assim como os planetas se formam ao redor das estrelas. Ou pode ter sido capturado (gravitacionalmente) pela anã marrom posteriormente – disse Zurlo.

Estrela

Uma anã marrom não é nem uma estrela nem um planeta, mas algo entre os dois. Elas poderiam ser consideradas estrelas em formação que, durante seus estágios iniciais, não alcançaram a massa necessária para iniciar a fusão nuclear em seu núcleo, como uma estrela. Mas são mais massivas do que os maiores planetas.

A anã marrom desse sistema é cerca de 33 vezes mais massiva, 50% maior em tamanho e muito mais quente que Júpiter.

– Como o sistema é muito jovem, a anã marrom ainda brilha com o calor remanescente de sua formação – disse Zurlo.

Desde a primeira detecção de exoplanetas na década de 1990, os cientistas identificaram uma ampla variedade de sistemas planetários, alguns muito semelhantes ao nosso e outros bem diferentes. O sistema examinado na nova pesquisa é um caso atípico.

– Sim, esse sistema é definitivamente estranho. Provavelmente, houve uma história dinâmica bastante caótica que o deixou em seu estado atual, mas é realmente difícil dizer exatamente que tipo de caos ele passou – disse Hoy.  

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