Rio de Janeiro, 12 de Maio de 2026

Incêndios batem recorde em meio a calor extremo, dizem cientistas

Incêndios causaram danos sem precedentes, queimando 150 milhões de hectares. Cientistas alertam para riscos crescentes com a chegada do El Niño.

Terça, 12 de Maio de 2026 às 11:39, por: CdB

Os incêndios de janeiro a abril já causaram danos sem precedentes, queimando mais de 150 milhões de hectares de terra, 20% a mais do que o recorde anterior.

Por Redação, com Reuters – de Singapura

A mudança climática provocou incêndios recordes na África, na Ásia e em outros lugares neste ano, com a expectativa de que as condições piorem com a aproximação do verão no hemisfério norte e o início dos padrões climáticos do El Niño, alertaram os cientistas nesta terça-feira.

Incêndios batem recorde em meio a calor extremo, dizem cientistas | Condições podem piorar com chegada do El Niño
Condições podem piorar com chegada do El Niño

Os incêndios de janeiro a abril já causaram danos sem precedentes, queimando mais de 150 milhões de hectares de terra, 20% a mais do que o recorde anterior, de acordo com dados do World Weather Attribution, grupo de pesquisa que estuda o papel desempenhado pelo aquecimento global em eventos climáticos extremos.

Os pesquisadores disseram que os recordes de temperatura podem ser quebrados este ano, causando secas generalizadas e incêndios, com o impacto da mudança climática induzida pelo homem agravado por um efeito “El Niño” especialmente forte.

– Embora em muitas partes do mundo a temporada global de incêndios ainda não tenha esquentado, esse início rápido, em combinação com a previsão do El Niño, significa que estamos diante da materialização de um ano particularmente severo – disse Theodore Keeping, especialista em incêndios florestais do Imperial College de Londres e parte do grupo WWA.

Até agora, 85 milhões de hectares de terra foram queimados na África este ano, 23% a mais do que o recorde anterior de 69 milhões de hectares, informou.

A atividade de incêndio excepcionalmente alta na África está sendo impulsionada por mudanças rápidas de condições extremamente úmidas para condições extremamente secas, segundo Keeping.

O alto índice pluviométrico produziu mais grama durante a estação de crescimento anterior, criando uma abundância de combustível para alimentar os incêndios em savanas induzidos pela seca e pelo calor nos últimos meses.

El Niño 

Os incêndios asiáticos queimaram 44 milhões de hectares de terra até agora neste ano, quase 40% a mais do que o recorde anterior de 2014, com Índia, Mianmar, Tailândia, Laos e China entre os mais atingidos.

Theodore Keeping alertou que os riscos de incêndios florestais podem piorar neste ano, com o El Niño aumentando a probabilidade de calor e seca severos na Austrália, no Canadá, nos Estados Unidos e na floresta amazônica.

– A probabilidade de incêndios extremos prejudiciais pode ser a mais alta que já vimos na história recente se ocorrer um El Niño forte – declarou.

As condições climáticas do El Niño, causadas pelo aquecimento das temperaturas da superfície do mar no Oceano Pacífico, devem começar em maio, informou a Organização Meteorológica Mundial no mês passado.

Ele pode causar secas na Austrália, Indonésia e partes do sul da Ásia, bem como inundações em outras regiões, e pode elevar as temperaturas, alertou a agência da ONU.

– Se houver um El Niño forte este ano, há sério risco de que o efeito da mudança climática resulte em extremos sem precedentes – disse Friederike Otto, cientista do Imperial College de Londres e cofundadora da World Weather Attribution.

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