Rio de Janeiro, 04 de Março de 2026

Brasileira pode ter recorde após surfar onda de 25m em Nazaré

A brasileira Michelle des Bouillons surfou uma onda de 24,99m em Nazaré, podendo quebrar o recorde mundial feminino de surfe de ondas gigantes. Descubra mais sobre esse momento histórico.

Quarta, 04 de Março de 2026 às 13:59, por: CdB

Estudo técnico aponta parede de 24,99 metros e brasileira pode quebrar recorde mundial feminino no surfe de ondas gigantes.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

A carioca Michelle des Bouillons pode estar prestes a entrar para a história do surfe mundial. Durante a etapa do WSL Big Wave Challenge, realizada em 13 de dezembro de 2025, na Praia do Norte, em Nazaré, ela surfou uma onda que pode se tornar a maior já registrada por uma mulher na modalidade.

Brasileira pode ter recorde após surfar onda de 25m em Nazaré | Michelle des Bouillons pegou a parede em dezembro de 2025 durante competição da WSL na Praia do Norte, em Nazaré
Michelle des Bouillons pegou a parede em dezembro de 2025 durante competição da WSL na Praia do Norte, em Nazaré

Um estudo técnico encomendado pela própria atleta aponta que a parede alcançou 24,99 metros — o equivalente a um prédio de sete andares. Caso o número seja homologado, o feito superará a atual marca feminina, estabelecida em 2020.

O recorde mundial feminino pertence hoje à brasileira Maya Gabeira, que surfou uma onda de 22,4 metros também em Nazaré. No masculino, a maior marca é do alemão Sebastian Steudtner.

Momento histórico

A bateria ocorreu no auge da maré e no ponto máximo do swell. A estratégia da equipe era buscar a maior onda do evento para tentar vencer a etapa — o recorde mundial sequer era prioridade naquele momento.

Segundos antes da série se formar, Ian Cosenza, piloto do jet ski que conduzia Michelle, pediu que ela confiasse nele. Segundo ele, o mar estava em uma condição rara. A onda inicialmente parecia que fecharia, mas “estacionou” no ponto ideal, permitindo o posicionamento perfeito para o drop.

Em Nazaré, especialistas identificam dois tipos principais de ondas gigantes: as que quebram mais ao fundo, com grande tamanho porém menor concentração de energia, e as que acumulam força e explodem na primeira seção. A onda surfada por Michelle pertenceu à segunda categoria — mais crítica e desafiadora.

Drop crítico

Michelle completou o drop na parte mais vertical da onda, percorreu a seção crítica e saiu limpa. A reação foi imediata: gritos ecoaram do penhasco, competidores comemoraram dentro d’água e juízes da WSL acompanhavam atentos.

Inicialmente, a dimensão histórica do feito ainda não era clara. Só depois, já em casa, a atleta começou a entender a magnitude do momento, especialmente após receber incentivo de nomes importantes do surfe de ondas gigantes.

Entre eles estavam o recordista mundial Rodrigo Koxa e o brasileiro Lucas Chianca, o “Chumbo”, que reforçaram a possibilidade real de recorde.

Como funciona

A validação oficial não é feita diretamente pela WSL. A chancela técnica está sob responsabilidade de Bill Sharp, criador do Big Wave Challenge Award, referência mundial na premiação de ondas gigantes. Após a análise técnica da temporada, os dados são encaminhados ao Guinness World Records.

A temporada termina oficialmente em abril, quando começam as medições detalhadas. Paralelamente, Michelle já iniciou um processo independente de avaliação.

Um dos laudos preliminares foi conduzido por Paulo Vinicius Lopes, especialista que também mediu a onda histórica de Rodrigo Koxa em 2017. O método envolve análise quadro a quadro de vídeo frontal, identificação do ponto máximo entre o lip e a base e aplicação de medida proporcional usando a própria surfista como referência.

Para garantir precisão, utiliza-se a canela da atleta como unidade de escala. Michelle forneceu uma foto com trena comprovando a medida exata da perna. A proporção é replicada na imagem até alcançar o topo e a base da onda.

As medições preliminares indicam que a marca supera, com margem, o recorde feminino vigente. Ainda assim, a confirmação depende da validação oficial após o encerramento da temporada.

Michelle surfa ondas gigantes há quase uma década e construiu sua trajetória em Nazaré. Segundo ela, o objetivo nunca foi buscar recordes, mas evoluir em performance e estar preparada para grandes momentos.

Mesmo sem conquistar o título da etapa — interrompida por questões técnicas —, a brasileira deixou o mar satisfeita. Para ela, ter surfado a maior onda da própria vida já representou uma vitória maior que qualquer troféu.

Edições digital e impressa