Rio de Janeiro, 25 de Fevereiro de 2026

Mortes de jornalistas batem recorde, segundo CPJ

Relatório do CPJ revela que 129 jornalistas foram mortos em 2025, com Israel responsável por dois terços das mortes. Entenda os detalhes e implicações.

Quarta, 25 de Fevereiro de 2026 às 11:54, por: CdB

Israel também foi ⁠responsável por 81% dos 47 assassinatos que o CPJ classificou como alvos intencionais, ou “homicídios”.

Por Redação, com Reuters – de Nova York

Um número recorde de 129 jornalistas e profissionais da mídia foram mortos no exercício de suas funções no ano passado, dois terços deles por Israel, informou nesta quarta-feira o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).

Mortes de jornalistas batem recorde, segundo CPJ | Relatório do CPJ indica alta histórica de mortes na imprensa
Relatório do CPJ indica alta histórica de mortes na imprensa

Foi o segundo ano consecutivo em que os assassinatos de jornalistas bateram um recorde e o segundo ano consecutivo em que Israel foi responsável por dois terços deles, ⁠informou o CPJ, uma organização independente com sede em Nova York que documenta ataques à imprensa, em seu relatório anual.

Os ataques israelenses mataram 86 jornalistas em 2025, a maioria palestinos em Gaza, mas também incluindo 31 profissionais em um ataque a um centro de mídia houthi no Iêmen, o segundo ataque mais mortal já registrado pelo CPJ, informou a organização.

Israel também foi ⁠responsável por 81% dos 47 assassinatos que o CPJ classificou como alvos intencionais, ou “homicídios”. O relatório afirma que o número real provavelmente é maior devido às restrições de acesso que dificultam a verificação em Gaza.

As Forças Armadas de Israel não responderam a um pedido de comentário. No passado, afirmaram que as suas tropas em Gaza visam apenas combatentes, mas que operar em zonas de combate acarreta riscos inerentes. Israel reconheceu ter atacado o centro ⁠de mídia no Iêmen ⁠em setembro, descrevendo-o na época como um braço de propaganda dos houthis.

Em vários casos, Israel reconheceu ⁠ter atacado jornalistas em Gaza que, segundo ele, tinham ligações com o Hamas, sem fornecer provas verificáveis. Organizações internacionais de notícias negaram veementemente que os repórteres mortos tivessem ligações com militantes. O CPJ chamou essas alegações de Israel de “difamações mortais”.

Israel não permite que jornalistas estrangeiros entrem em Gaza, portanto todos ⁠os profissionais da mídia mortos lá eram palestinos.

O relatório afirma que “as Forças Armadas israelenses cometeram mais assassinatos seletivos de profissionais da imprensa do que qualquer outro Exército governamental desde o início dos registros”, observando que o CPJ começou a coletar dados há mais de três décadas.

O relatório afirma que pelo menos 104 dos 129 jornalistas mortos morreram em conflitos. Além de Gaza e Iêmen, os países mais mortíferos para jornalistas incluem o Sudão, onde nove ⁠foram mortos, e o México, onde seis morreram. Quatro jornalistas ucranianos foram mortos pelas forças russas e três jornalistas morreram nas Filipinas, segundo o relatório.

Rússia

A Rússia negou ter atacado jornalistas deliberadamente e acusou a Ucrânia de atacar repórteres russos, o que Kiev nega. Não houve comentários imediatos da embaixada da Rússia em Washington sobre o relatório do CPJ.

Entre os mortos no ano passado estava o jornalista da à agência inglesa de notícias Reuters, Hussam al-Masri, morto por tiros israelenses em agosto enquanto operava uma transmissão de vídeo ao vivo no Hospital Nasser, em Gaza. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, lamentou o ataque, que também matou outros quatro jornalistas, como um “acidente trágico”.

As Forças Armadas israelenses afirmaram ter atacado uma câmera do Hamas, mas uma investigação da Reuters descobriu que o dispositivo pertencia à Reuters.

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