Rio de Janeiro, 25 de Maio de 2026

Cientistas revelam detalhes da maior rajada solar já detectada

Cientistas confirmam a maior rajada solar já registrada, durando 19 dias. Descubra como esse fenômeno ajuda a entender a atividade solar e seus efeitos no espaço.

Segunda, 25 de Maio de 2026 às 12:14, por: CdB

Fenômeno não representa perigo para a Terra, mas ajuda a entender melhor a atividade solar e seus efeitos no espaço.

Por Redação, com Xataka – de Washington

A maior rajada solar já detectada durou quase três semanas. O fenômeno foi confirmado por quatro naves diferentes e se estendeu de 21 de agosto a 9 de setembro de 2025, somando 19 dias de duração.

Cientistas revelam detalhes da maior rajada solar já detectada | Explosão solar de 19 dias ajuda a entender comportamento do Sol
Explosão solar de 19 dias ajuda a entender comportamento do Sol

Até então, a rajada solar mais longa conhecida havia durado cinco dias. A nova detecção, descrita em um estudo publicado no The Astrophysical Journal Letters, chamou atenção justamente por superar com folga esse recorde.

Apesar da escala impressionante, o fenômeno não representa perigo para a Terra. Pelo contrário: ele oferece pistas importantes sobre o funcionamento do Sol e sobre eventos solares que, em outros casos, podem afetar comunicações e tecnologias espaciais.

Quatro naves chegaram à mesma resposta.

A rajada foi detectada pela primeira vez pela Solar Orbiter, missão da Agência Espacial Europeia, a ESA. A nave tem como objetivo estudar os polos solares, os ventos solares e o campo magnético do Sol a partir de uma distância relativamente próxima.

Não era a primeira vez que a Solar Orbiter identificava uma rajada solar. Mas nenhuma tinha apresentado uma duração tão incomum.

Doze dias depois, os dados foram confirmados pelas naves Wind e Parker Solar Probe, ambas da Nasa. Pouco tempo depois, a STEREO-A, também da agência espacial americana, reforçou a mesma conclusão.

Um estalo solar

A rajada observada foi classificada como um estalo solar do tipo IV. Esse fenômeno acontece quando elétrons ficam presos no campo magnético do Sol e passam a girar em espiral ao redor de suas linhas magnéticas, gerando radiação eletromagnética.

Existem cinco tipos de estalos solares. Os de tipo IV costumam ter faixas amplas de frequência e podem durar horas. O caso recém descrito, porém, foi muito além disso: durou 19 dias.

Foi justamente essa duração fora do comum que tornou a descoberta tão relevante para os cientistas.

A chave pode estar nas ejeções de massa coronal

Por si só, esse tipo de rajada solar é considerado inofensivo.

Diferentemente de outros fenômenos solares, como ventos solares ou ejeções de massa coronal, ela não libera plasma nem partículas carregadas em direção ao espaço. Emite apenas ondas de rádio.

Por isso, não deve afetar as telecomunicações na Terra.

Ainda assim, os cientistas perceberam que a rajada pode ter relação com ejeções de massa coronal. A partir de pistas coletadas pela STEREO-A e de reconstruções feitas pelos pesquisadores, a hipótese é que três ejeções tenham alimentado o estalo de rádio ao longo dos dias.

Mas o que são ejeções de massa coronal?

Ejeções de massa coronal são liberações abruptas de plasma que acontecem na coroa solar, a camada externa da atmosfera do Sol, quando há acúmulo de muita energia.

No caso da rajada de 19 dias, essas três ejeções podem ter fornecido elétrons continuamente ao fenômeno. Assim, sempre havia partículas presas e girando em torno do campo magnético solar.

Em outras palavras: quando a rajada começava a perder força, o próprio Sol parecia entregar mais “combustível” para mantê-la ativa.

Descobertas como essa ajudam os cientistas a entender melhor o comportamento do Sol. A atividade solar segue ciclos de aproximadamente 11 anos, alternando períodos de baixa e alta intensidade.

Em 2025, houve um pico bastante ativo nesse ciclo. Estudar os eventos registrados nesse período é essencial para compreender fenômenos solares que podem ter impacto real sobre a Terra, especialmente ventos solares e ejeções de massa coronal.

Neste caso, os cientistas não observaram diretamente as ejeções, mas conseguiram analisar o longo rastro deixado por elas. É como estudar pegadas: mesmo sem ver o evento principal, as marcas deixadas ajudam a reconstruir o que aconteceu.

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