A abertura de cassinos físicos no Brasil é um tema que vem sendo discutido nos últimos anos, e a expectativa é cada vez maior com o passar do tempo, principalmente após a legalização das plataformas online em 2025.

Apesar de o potencial econômico ser grande, o contraste é o impasse legislativo, já que existe um Projeto de Lei aprovado na Câmara dos Deputados, mas que ainda aguarda votação no Senado.
Enquanto a situação não é definida, as bets seguem presentes em plataformas que oferecem experiências digitais completas, mesmo diante das indefinições legais que ainda cercam o setor. Aposta é assunto para adultos.
Quanto os cassinos físicos poderiam arrecadar e empregar no país
Felipe de Sá Tavares, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), revelou que os cassinos físicos podem arrecadar mais de R$ 37 bilhões por ano com impostos, enquanto as empresas online geram R$ 14,5 bilhões.
Outro ponto destacado por Tavares é que a liberação das empresas físicas no país deve gerar 1 milhão de postos de emprego no Brasil, um impacto gigante que possibilita oportunidades diretas e indiretas no setor.
“Em todos os outros países, a modalidade mais clássica de aposta é no cassino físico. Você consegue proibir que menor de idade entre, consegue criar mecanismos de controle reais para que aquele CPF não saia de uma mesa e vá pra outra, pode criar um 0800 onde um apostador compulsivo ou a família dele pode ligar e fazer um cadastro negativo daquele CPF”, defendeu Tavares.
Bets + streaming: investimento publicitário e quem ganha com isso
O avanço das apostas reguladas no Brasil impulsionou um boom na mídia, especialmente quando combinado ao crescimento do streaming esportivo.
De acordo com um estudo feito pela agência Tunad, a televisão brasileira recebeu R$ 24,5 bilhões de investimentos em publicidade impulsionados por bets e streaming.
O efeito cascata beneficia múltiplos elos da cadeia:
- Emissoras de TV aberta e paga, que ampliam inventário publicitário;
- Plataformas de streaming, que valorizam direitos esportivos;
- Clubes e ligas, via patrocínios e naming rights;
- Criadores de conteúdo e influenciadores, integrados a campanhas digitais.
Tributação e regras: o que falta decidir sobre depósitos e publicidade
No ambiente regulatório, permanecem pendentes decisões-chave. Entre elas, a votação adiada sobre a tributação dos depósitos, tema sensível por seu impacto direto na experiência do usuário e na competitividade dos operadores licenciados frente ao mercado ilegal.
Também seguem em debate os limites de publicidade, especialmente em relação a horários, linguagem e proteção de públicos vulneráveis. A ausência de definições finais cria incerteza para planejamentos de longo prazo e para a cadência de novas licenças, além de limitar ganhos de alguns setores que torcem pela regularização dos cassinos físicos, como o turismo.
Verba das apostas para COB/CPB: por que está parada e como destravar
A demora do Ministério da Fazenda em publicar uma portaria específica mantém um vácuo regulatório que paralisa o uso dos recursos das bets, fazendo com que COB e CPB deixem até R$ 280 milhões parados em caixa.
Esses recursos poderiam ser direcionados tanto para ações estruturantes de fomento quanto para a preparação de atletas, a participação em competições nacionais e internacionais e a sustentação da infraestrutura esportiva.
Marcelo Vido, ex-jogador da seleção brasileira de basquete e diretor de operações do COB, confirmou que a utilização dos valores pelas entidades está condicionada à regulamentação por parte do governo federal.
“Em relação aos recursos provenientes das bets, o Comitê Olímpico do Brasil aguarda a regulamentação do governo federal, que irá definir a natureza e a forma de utilização desses valores”.
Impacto no esporte: repasses, patrocínios e calendário de mídia
Com regras claras, o setor pode consolidar um modelo sustentável de financiamento esportivo. Os repasses legais se somam a patrocínios diretos, acordos de mídia e ativações comerciais que ajudam clubes e ligas na previsibilidade de receita e melhor organização de calendários esportivos e de transmissão.
Atualmente, as casas de apostas já invadiram os clubes de futebol. Todas as equipes da Série A do Brasileirão, que é a principal liga do país, contam com algum tipo de acordo com empresas do segmento, muitos deles máster.
Os valores são bem atrativos e resultam em alívio financeiro para os cofres das equipes. Por outro lado, as bets conseguem atingir em cheio um público que consome o seu produto.