O líder brasileiro observou que, na história dos povos, o uso da força não pavimenta caminhos para solucionar os problemas latino-americanos.
Por Redação, com agências internacionais – da Cidade do Panamá
Convidado especial do Fórum Econômico da América Latina e Caribe, um conclave de líderes da direita à extrema direita no subcontinente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em seu discurso na abertura do encontro, mandou um recado ao mandatário norte-americano, Donald Trump. Em sua fala, Lula reafirmou que a única guerra a ser travada na região é contra a fome e a desigualdade.

O líder brasileiro observou que, na história dos povos, o uso da força não pavimenta caminhos para solucionar os problemas latino-americanos. Lula disse, ainda, que a região vive um dos momentos de maior retrocesso em matéria de integração e que falta aos líderes latino-americanos convicção em um projeto de integração regional.
— A história mostra que o uso da força jamais pavimentará o caminho para superar as mazelas que afligem este hemisfério que é de todos nós. A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos e retrocessos históricos — afirmou Lula, o segundo a discursar na abertura da cúpula, logo depois do presidente do país anfitrião, José Raúl Mulino.
Venezuela
A intervenção do presidente vem depois de, no início do ano, forças norte-americanas terem capturado o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em uma operação militar em Caracas, deixando um saldo de mais de 100 venezuelanos mortos, para levá-lo à Justiça nos EUA por acusações de narcotráfico.
Desde então, o presidente norte-americano, Donald Trump, tem dito que empresas dos EUA explorarão o petróleo da Venezuela, país com a maior reserva comprovada dessa commodity, no mundo. Forças norte-americanas também capturaram navios-tanque carregados com óleo venezuelano, e Trump disse que o produto será processado, agora, em refinarias norte-americanas.
À época do ataque, Lula condenou a ação militar e disse que ela ultrapassa uma “linha inaceitável”. Mais recentemente, o presidente declarou que todas as noites fica indignado com o que aconteceu na Venezuela.
Diplomacia
Lula também afirmou que houve momentos na história em que os EUA adotaram uma política de cooperar com o desenvolvimento da América Latina e do Caribe.
— Também houve momentos em que os Estados Unidos souberam ser um parceiro em prol dos nossos interesses de desenvolvimento. O presidente Franklin Roosevelt implementou uma política de boa vizinhança que tinha como objetivo substituir a intervenção militar pela diplomacia em sua política externa para a América Latina e Caribe — lembrou.
Ainda nesta tarde, na agenda de Lula, também constavam as reuniões bilaterais e encontros com outros presidentes que também participam do Fórum, entre eles do Equador, Guatemala, Bolívia, Chile e Jamaica, que confirmaram presença.
Neutralidade
Com o presidente panamenho, Lula assinou acordo de cooperação em investimentos, expansão comercial e logística entre os dois países, uma vez que o Brasil é o 15º maior usuário do Canal do Panamá. Sete milhões de toneladas de produtos brasileiros exportados passam por lá.
No encontro com Mulino, o presidente brasileiro declarou que o Brasil apoia a neutralidade do Canal do Panamá.
— Brasil defende a neutralidade do Canal do Panamá, administrado de forma eficiente, segura e não-discriminatória há quase três décadas — concluiu Lula.