A decisão, articulada pela coordenação de campanha do presidente Lula, não levou em conta a resolução aprovada pela direção estadual em convenção realizada há pouco mais de um mês.
Por Redação – do Rio de Janeiro
A pré-candidatura do secretário especial de Assuntos Federativos, André Ceciliano (PT), ao governo do Estado do Rio, com indicação de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), embaralhou o cenário político regional e levantou o debate interno na legenda sobre a possível participação do partido na candidatura do atual prefeito da Cidade, Eduardo Paes (PSD), ao Palácio Guanabara.

A decisão, articulada pela coordenação de campanha do presidente Lula, não levou em conta a resolução aprovada pela direção estadual em convenção realizada há pouco mais de um mês. A Executiva Estadual tentou estabelecer um acordo entre o partido e o PSD, de Paes.
O ingresso de Ceciliano no tabuleiro do xadrez eleitoral fluminense, por enquanto, estabelece uma característica de Lula em relação ao Estado, de definir a subordinação da política local aos interesses nacionais, no campo político. A resolução estadual, adotada em 26 de dezembro último, tentava organizar as fileiras petistas, conflagradas por uma série de disputas internas.
Compromissos
Os principais líderes do PT fluminense estabeleceram que a prioridade absoluta do partido em 2026 é a reeleição de Lula, seguida da eleição da deputada Benedita da Silva ao Senado; além da ampliação das bancadas federal e estadual. Em seguida, sublinharam a disposição para o estabelecimento de uma frente com o prefeito Eduardo Paes.
O documento planejava definir os compromissos programáticos da aliança, como a defesa de direitos sociais, o fortalecimento dos serviços públicos, a preservação ambiental e uma política de segurança pública voltada ao enfrentamento das cúpulas do crime organizado, respeitados os Direitos Humanos.
Caso não se chegasse a um acordo, a Executiva do PT não descartava candidatura própria e nem a construção de uma frente de esquerda, mantendo margem de manobra diante das indefinições do campo aliado.
Senado
Mas a tensão estava estabelecida. Ao longo do ano passado, líderes petistas como Washington Quaquá, prefeito de Maricá e vice-presidente nacional do partido; André Ceciliano e o deputado Lindbergh Farias se desentenderam sobre uma série de pautas do partido.
Quaquá, que elegeu o filho, Diego Zeidan, à Presidência estadual do PT e articulou sua nomeação à Secretaria de Habitação do prefeito Paes, também discordou do nome de Benedita da Silva para o Senado, na contramão do presidente Lula e da militância estadual. Em mais de uma oportunidade, foi um ávido defensor do diálogo o governador Cláudio Castro (PL), da extrema direita, e acenou para Alessandro Molon (PSB) para a campanha ao Senado.