Centro da Stellantis em Osasco recuperou mais de 20 mil peças, mas os números nacionais mostram o desafio da reciclagem automotiva
Por Sérgio Dias – de São Paulo
A Stellantis completou o primeiro ano do Centro de Desmontagem Veicular Circular AutoPeças, em Osasco, São Paulo, diante de um problema que permanece sem solução para parte da frota brasileira. Cerca de dois milhões de veículos chegam ao fim da vida útil anualmente no país, mas somente 1,5% recebem destinação adequada.

“Ao completar um ano, o Centro de Desmontagem Veicular comprova que a Economia Circular é capaz de gerar valor ambiental, social e econômico ao mesmo tempo”, afirma Paulo Solti, vice-presidente sênior de Peças e Serviços da Stellantis para a América do Sul. A operação desmontou 1.150 veículos em seus primeiros 12 meses.
O centro recuperou mais de 20 mil peças e comercializou 11 mil componentes reutilizados. A estrutura processa veículos de diferentes marcas e identifica quais itens podem retornar ao mercado de reposição e quais materiais devem seguir para reciclagem.
Resíduos sob controle
A operação encaminhou cerca de 862 toneladas de materiais para reaproveitamento e reciclagem. Quase 14 mil litros de fluidos automotivos também receberam destinação, incluindo mais de 4.600 litros de óleo e aproximadamente 1.830 litros de fluido de arrefecimento.

Parte do óleo retirado dos veículos é destinada à produção da linha Motul NGEN Circular AutoPeças, desenvolvida pela Stellantis em parceria com Motul e Lwart. Os lubrificantes utilizam até 70% de matéria-prima proveniente de processos de circularidade.
A reutilização de componentes pode reduzir em até 80% o consumo de matérias-primas e evitar até 50% das emissões de dióxido de carbono na comparação com peças novas equivalentes. O procedimento envolve identificação, desmontagem, avaliação e comercialização rastreada.
Mercado pouco aproveitado
A frota brasileira reúne 48,8 milhões de veículos, segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores. O mercado de reposição movimenta R$ 260 bilhões, enquanto o segmento nacional de remanufatura automotiva é estimado em R$ 2 bilhões.
O potencial de peças recuperáveis que ainda não chega ao mercado é calculado em R$ 14 bilhões por ano. A ampliação do desmonte regular pode reinserir componentes na cadeia de reposição e diminuir o descarte de materiais que ainda possuem condições de uso.
A unidade de Osasco tem capacidade instalada para desmontar até oito mil veículos por ano. O volume processado durante os primeiros 12 meses corresponde a pouco mais de 14% dessa capacidade, o que permite ampliar a entrada de automóveis nos próximos ciclos.
Estratégia de expansão
O centro é a primeira estrutura própria de uma montadora dedicada ao desmonte legal e rastreável de veículos na América do Sul. A operação integra uma estratégia baseada em remanufatura, reparo, reuso e reciclagem.
O ecossistema inclui o Centro de Recondicionamento Veicular de Betim, em Minas Gerais. A unidade recupera automóveis que ainda possuem condições de retornar ao uso, enquanto o centro de Osasco atua sobre aqueles destinados ao desmonte.
“A Economia Circular é uma das prioridades estratégicas da Stellantis porque reúne inovação, competitividade e sustentabilidade”, afirma Maiara Castro, vice-presidente de Economia Circular da Stellantis para a América do Sul. A empresa pretende aumentar o número de veículos desmontados, ampliar a disponibilidade de peças reutilizadas, fortalecer o recondicionamento e expandir os canais de comercialização.