Rio de Janeiro, 15 de Abril de 2026

Beto Louco pode ter delação recusada pelo MP de São Paulo

A proposta de delação premiada de Beto Louco, investigado por fraudes fiscais e lavagem de dinheiro, enfrenta rejeição unânime do Ministério Público de São Paulo. Entenda os detalhes.

Quarta, 15 de Abril de 2026 às 12:32, por: CdB

Empresário investigado por fraudes fiscais e lavagem de dinheiro tentou acordo após fugir para a Líbia, mas proposta enfrenta rejeição unânime de promotores.

Por Redação, com Agenda do Poder – de São Paulo

A Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo deve recusar a proposta de delação premiada apresentada pelo empresário Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, alvo central da Operação Carbono Oculto. A tentativa de colaboração com o Ministério Público estadual vinha sendo negociada há meses, mas não teve adesão dos promotores responsáveis pelo caso, segundo informações da repórter Malu Gaspar, em O Globo.

Beto Louco pode ter delação recusada pelo MP de São Paulo | Beto Louco
Beto Louco

Beto Louco é investigado por participação em um esquema bilionário envolvendo fraudes fiscais, sonegação e lavagem de dinheiro. As apurações indicam que ele atuava ao lado do empresário Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, na infiltração da facção criminosa PCC no setor de combustíveis.

Foragido desde o avanço das investigações, o empresário deixou o Brasil e se encontra na Líbia, de onde passou a tentar negociar acordos com autoridades brasileiras.

Acordo

Inicialmente, o investigado buscou firmar um acordo com a Procuradoria-Geral da República, oferecendo informações sobre políticos e autoridades. No entanto, as negociações não avançaram.

Sem sucesso em Brasília, a defesa voltou-se ao Ministério Público de São Paulo, responsável pelas investigações em parceria com a Receita Federal e com apoio da Polícia Federal. Ainda assim, a nova tentativa também não prosperou.

A decisão final caberá ao procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, recentemente reconduzido ao cargo.

Proposta

Segundo apuração, a rejeição à proposta é unânime entre os promotores envolvidos no caso. O principal motivo é a recusa de Beto Louco em admitir qualquer vínculo com o PCC ou com o crime organizado.

Na proposta apresentada, o empresário se comprometeria a devolver cerca de R$ 1 bilhão aos cofres públicos e confessaria crimes relacionados à sonegação fiscal. Ele também mencionou o pagamento de propina a um magistrado e servidores da Secretaria da Fazenda.

Por outro lado, negou participação em práticas como adulteração de combustíveis, lavagem de dinheiro e qualquer relação com a facção criminosa.

PCC

As investigações da Operação Carbono Oculto, conduzidas pelo Gaeco, apontam fortes evidências de ligação entre o empresário e o PCC. Empresas no centro do esquema, como a Copape e a distribuidora Aster, teriam sido adquiridas com recursos ilícitos oriundos da organização criminosa.

Diante desse cenário, integrantes do Ministério Público consideram inviável a homologação de um acordo sem que o investigado reconheça sua participação no núcleo criminoso e contribua de forma efetiva para o esclarecimento dos fatos.

Para os promotores, a ausência de admissão compromete o interesse público e fere os princípios básicos de uma delação premiada.

Promotores de diferentes regiões do estado — incluindo capital, Guarulhos, Piracicaba e São José do Rio Preto — elaboraram pareceres recomendando a rejeição da proposta. A avaliação conjunta reforça o entendimento de que a colaboração apresentada é insuficiente.

A expectativa interna é de que o procurador-geral siga a recomendação técnica e recuse formalmente o acordo.

Até o momento, nem o Ministério Público de São Paulo nem a defesa do empresário se manifestaram oficialmente sobre o caso.

Investigação

Caso decidisse colaborar plenamente, Beto Louco poderia detalhar a estrutura do esquema, apontar lideranças do PCC e esclarecer a participação de empresas e instituições financeiras envolvidas nas operações.

As investigações também indicam possíveis conexões com fintechs e fundos do mercado financeiro, ampliando o alcance do caso.

A Operação Carbono Oculto é considerada uma das maiores ações já realizadas no país contra o crime organizado no setor de combustíveis.

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