Rio de Janeiro, 02 de Abril de 2026

Bancos dos EUA elevam segurança em Paris após ameaças pró-Irã

Após atentado frustrado contra o Bank of America em Paris, bancos como Citi e Goldman Sachs intensificam medidas de segurança. Saiba mais sobre as ameaças pró-Irã e suas implicações.

Quinta, 02 de Abril de 2026 às 13:22, por: CdB

O clima de alerta se intensificou após o atentado frustrado no último sábado contra a sede parisiense do Bank of America.

Por Redação, com RFI – de Paris

O banco Citi adotou o trabalho remoto em suas agências em Paris nesta quinta-feira, e o Goldman Sachs reforçou o policiamento em sua sede na noite desta quarta, após novos alertas na Europa e ameaças atribuídas a um grupo pró-Irã. A decisão foi tomada depois do atentado frustrado contra o Bank of America, na noite do último dia 27 e 28, que levou à prisão de quatro suspeitos, entre eles três menores de idade.

Bancos dos EUA elevam segurança em Paris após ameaças pró-Irã | A polícia francesa impediu na madrugada de sexta para sábado uma tentativa de atentado com bomba em frente aos escritórios da Bank of America, no 8º distrito de Paris
A polícia francesa impediu na madrugada de sexta para sábado uma tentativa de atentado com bomba em frente aos escritórios da Bank of America, no 8º distrito de Paris

Em Paris, a sede do Goldman Sachs passou a ser monitorada pelas forças de segurança após um alerta das autoridades americanas sobre potenciais ameaças ligadas a um grupo pró-Irã. O banco teria recebido um e-mail para reforçar a vigilância diante do risco de ataques com explosivos contra instituições financeiras americanas na Europa. 

No mesmo contexto, a porta-voz do Citi afirmou que, por precaução, a instituição colocou funcionários das unidades de Paris e Frankfurt em trabalho remoto. Ela ressaltou que a segurança dos colaboradores é “prioridade absoluta” e que o banco está adotando todas as medidas necessárias diante das ameaças. 

A Secretaria de Segurança Pública de Paris informou que o atual “cenário internacional marcado por tensões crescentes e elevado nível de ameaça terrorista” levou à implementação de um “esquema de segurança reforçado nos arredores de locais culturais e religiosos, representações diplomáticas e pontos de interesse econômico vinculados às partes envolvidas”. 

Jovem é detido

O clima de alerta se intensificou após o atentado frustrado no último sábado contra a sede parisiense do Bank of America. Um jovem de 17 anos foi detido ao deixar um artefato explosivo artesanal na entrada do prédio e, segundo a acusação, ele se preparava para acendê-lo com um isqueiro. 

O Ministério Público Nacional Antiterrorista (Pnat) acusou um jovem de cerca de 20 anos de ter “recrutado”, na noite de 26 para 27 de março, três adolescentes para colocar o plano em prática. Para a promotoria, a tentativa “parece estar ligada” ao grupo “Harakat Ashab al-Yamin al-Islamiya” (Hayi), que nos últimos dias reivindicou ataques contra comunidades judaicas na Bélgica, no Reino Unido e na Holanda.

O acusado maior de idade também teria pedido aos menores, de 16 e 17 anos, que filmassem a ação, em troca de uma remuneração “entre  500 euros e mil euros“, ainda segundo o Pnat.

Interesse

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, afirmou à rádio Franceinfo que o ataque tem elementos similares aos atentados recentes ocorridos na Holanda e na Bélgica e pode ter sido ordenado por um grupo pró‑iraniano que reivindicou ações contra comunidades judaicas na Europa. Desde 1979, o regime iraniano é acusado de ao menos 200 operações no exterior, incluindo atentados e assassinatos.  

“Geralmente, os alvos são opositores iranianos. É o caso do atentado que foi frustrado em Villepinte (região parisiense) em 2018, e pelo qual uma pessoa com status diplomático iraniano foi condenada a uma pena severa. Mas também podem ser interesses ligados ao Estado de Israel ou aos Estados Unidos”, explica Marc Hecker, diretor executivo do Instituto Francês das Relações Internacionais e especialista em questões de terrorismo, em entrevista à agência francesa de notícias RFI.

Várias tentativas de atentados na Europa nas últimas semanas foram reivindicadas por um pequeno grupo pró-iraniano. Mas nada indica, neste momento, que Teerã as tenha encomendado. O analista Thierry Coville questiona o interesse estratégico do Irã em ordenar ataques em solo europeu, argumentando que isso poderia ampliar a coalizão internacional contra o país. 

– Isso pode, no entanto, levar a um fortalecimento da coalizão contra eles, já que, neste caso, os eventos ocorrem em solo europeu. Eles sabem muito bem que foram os Estados Unidos e Israel que os atacaram. Portanto, não vejo muito como esse tipo de atentado lhes traria qualquer benefício em sua atual estratégia de guerra assimétrica – afirmou.

Alguns especialistas do mundo árabe alertam ainda para a possibilidade de que atentados dessa natureza sejam organizados por serviços de inteligência estrangeiros e atribuídos ao Irã, com o objetivo de envolver governos europeus no conflito em curso entre Israel e Estados Unidos. 

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