Rio de Janeiro, 04 de Julho de 2026

Temperaturas sem precedentes deixam mais de 4,7 mil mortos na Europa

Passado o pico de temperatura, dados preliminares apontam que mais de 4,7 mil mortes adicionais para o período foram registradas na França.

Sábado, 04 de Julho de 2026 às 17:19, por: CdB

Passado o pico de temperatura, dados preliminares apontam que mais de 4,7 mil mortes adicionais para o período foram registradas na França.

Por Redação, com DW – de Londres

Os efeitos devastadores da onda de calor sem precedentes que castigou a Europa Ocidental na segunda quinzena de junho ainda estão se revelando. Passado o pico de temperatura, dados preliminares apontam que mais de 4,7 mil mortes adicionais para o período foram registradas na França. Holanda, Bélgica e Espanha, com a expectativa que o número aumente ainda mais, conforme outros países ainda atualizam seus balanços.

Calor,Paris
A onda de calor extremo que atingiu a Europa não tem parâmetros nas últimas décadas

França: mais de 2 mil mortes

A França registrou, na semana de 22 a 28 de junho, período em que foram vividos os picos da recente onda de calor, pelo menos 2.025 mortes a mais do que na semana anterior, segundo informou na véspera a ministra da Saúde francesa, Stéphanie Rist.

Cerca de 85% dessas mortes foram de pessoas com 65 anos ou mais, e o aumento ocorreu particularmente nos domicílios.

Em entrevista ao canal de televisão francês TF1, Rist detalhou que este balanço inclui apenas as mortes notificadas por meio de certificados de óbito eletrônicos, que habitualmente representam cerca de 60% do total.  Os números, portanto, são provisórios e mudarão quando forem incluídas também as mortes registradas com certificados em papel.

De qualquer forma, no momento, os dados compilados pela agência Santé Publique France revelam que o aumento de mortes na semana de calor intenso – embora nem todas possam ser atribuídas diretamente à onda de calor – foi de quase 30% em relação à semana anterior.

A ministra do Esporte da França, Marina Ferrari, também indicou que, desde 19 de junho e com o início da onda de calor que afetou grande parte do país, “mais de 90 pessoas” morreram afogadas, uma cifra “inquietante” que diminuiu com o fim das temperaturas extremas.

O Ministério da Saúde francês indicou num comunicado que este aumento foi particularmente elevado em Île-de-France, região de Paris, onde foram registadas 619 mortes adicionais (62%) durante o mesmo período. A imprensa local apontou que várias funerárias da capital ficaram sobrecarregadas com o número de mortes.

 

Bélgica: aumento de 39% na média de mortes

A vizinha Bélgica registrou um aumento de 39% na mortalidade, totalizando 1.222 mortes adicionais, entre 18 e 29 de junho. As autoridades belgas afirmaram que esse número representa o maior número diário de mortes no país desde a primeira onda do coronavírus.

“De acordo com dados preliminares, a Bélgica registou um excesso de mortalidade de 39% [mais 1.222 mortes] entre quinta-feira, 18 de junho, e segunda-feira, 29 de junho”, explicaram as autoridades de saúde belgas num comunicado.

“Tal excesso de mortalidade durante uma onda de calor é inédito no nosso país. A onda de calor foi excepcional, com sete dias em que as temperaturas ultrapassaram os 30 graus Celsius. As noites, em particular, foram anormalmente quentes”, afirmaram autoridades de saúde belgas num comunicado.

Quase metade destas mortes (530) aconteceu entre pessoas com 85 anos ou mais.

O pico de mortalidade foi atingido no sábado, 27 de junho, com “um total de 572 mortes registradas”, especificou o comunicado do Ministério da Saúde belga. 

Embora a Bélgica não tenha oficialmente batido os seus recordes de temperatura para junho, as temperaturas atingiram os 35°C em Bruxelas durante vários dias consecutivos e os 38º ou 40°C em algumas zonas.

 

Holanda: quase 500 mortes adicionais

A onda de calor que afetou a Holanda entre 18 e 29 de junho provocou um excesso de mortalidade de cerca de 480 mortes a mais do que o esperado para o período, segundo uma primeira estimativa publicada nesta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Saúde Pública e Meio Ambiente (RIVM).

De acordo com os dados fornecidos pelo órgão, durante essa semana eram esperadas cerca de 3.050 mortes, mas a cifra real estimada chega a aproximadamente 3.530. 

Este excesso de mortalidade afetou principalmente idosos com mais de 80 anos e foi mais acentuado nas regiões do leste e do sul do país, onde foram registradas as temperaturas mais elevadas.

O RIVM alertou que estes dados ainda são provisórios, já que uma parte dos óbitos é registrada várias semanas após ocorrer, de modo que apenas depois disso será possível oferecer uma avaliação completa do impacto da onda de calor.

 

Espanha: mais de mil mortes atribuídas ao calor

Pelo menos 1.028 mortes relacionadas com o calor foram registadas na  Espanha em junho, segundo dados publicados nesta semana pelo Instituto de Saúde Carlos III. Em comparação, o número corresponde a mais do dobro das 407 mortes atribuídas às temperaturas elevadas em junho do ano passado.

Alemanha: ainda sem dados, mas já com mortes antes da onda

A Alemanha, que também foi castigada pela onda de calor do início do verão e registrou seguidos recorde de altas temperaturas acima de 40°C, ainda não compilou dados sobre mortes no período.

Mas, mesmo antes do pico da onda a partir do início do verão, o Instituto Robert Koch (RKI) já aponta que ocorreram mais de 800 mortes relacionadas ao calor na Alemanha este ano. Segundo os dados do instituto, cerca de 500 pessoas com 85 anos ou mais haviam falecido por causas ligadas ao calor até 21 de junho. Na faixa etária de 75 a 84 anos, o número foi de aproximadamente 190; entre as pessoas de 65 a 74 anos, estimou-se em 80; e entre aquelas com menos de 65 anos, o total foi de cerca de 40.

Tipicamente, semanas de verão com temperaturas médias acima de 20 graus Celsius apresentam taxas de mortalidade significativamente mais altas em comparação com semanas de verão mais amenas. Na semana de 15 a 21 de junho, a temperatura média diurna e noturna foi de 21,1 graus Celsius — segundo o RKI, um valor acima do patamar a partir do qual se espera um aumento perceptível na mortalidade associada ao calor.

A estimativa atual do RKI abrange o período de 6 de abril a 21 de junho. A onda de calor extremo na Alemanha só começou, em muitos locais, nos dias seguintes a essa data. Dados preliminares sobre mortes relacionadas ao calor durante esse período serão apresentados na próxima semana.

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