Rio de Janeiro, 13 de Agosto de 2026

Baixo nível do Danúbio fecha usina nuclear da Romênia

Baixos níveis de um dos principais rios da Europa tiram de operação planta responsável por 20% da eletricidade do país. Abastecimento energético na Hungria também está ameaçado.

Quinta, 13 de Agosto de 2026 às 15:04, por: CdB

Baixos níveis de um dos principais rios da Europa tiram de operação planta responsável por 20% da eletricidade do país. Abastecimento energético na Hungria também está ameaçado.

Por Redação, com DW – de Bucareste

A Romênia interrompeu nesta quinta-feira as operações de sua única usina nuclear, em uma rara paralisação provocada pela seca que castiga a Europa e fez o nível do rio Danúbio, cujas águas são usadas para resfriar a usina, baixar a níveis recordes.

Usina nuclear de Cernavoda é a única da Romênia

Grande parte da Europa enfrenta mais uma onda de calor neste verão, em meio a secas que levaram os rios a níveis historicamente baixos.

A usina de Cernavoda, que gera cerca de 20% da eletricidade da Romênia, só havia sido desligada uma vez, em 2003, também por causa da seca.

A empresa nacional de energia nuclear Nuclearelectrica já havia desligado um dos dois reatores no mês passado e anunciou nesta quinta-feira que precisaria parar também o segundo, “devido à queda significativa e contínua do nível de água do rio Danúbio”.

– Não prevemos uma retomada das operações nos próximos dez dias – disse o diretor da usina, Romeo Urjan.

Crise energética

A Romênia vinha tentando evitar uma paralisação total dos dois reatores de 700 MW da usina.

O país destinou mais de 2 milhões de euros para tentar desviar o fluxo do Danúbio e manter o resfriamento dos reatores. As medidas incluíram a detonação de uma rocha e o afundamento de quatro barcaças carregadas de pedras no rio.

O governo afirma que o abastecimento será garantido por fontes alternativas de energia, incluindo a geração eólica e importações de eletricidade. Mas também reforçou o apelo por um “consumo responsável”.

As autoridades alertaram que, como último recurso, grandes consumidores industriais poderão enfrentar restrições de consumo no período da noite para economizar eletricidade.

No início do mês, o governo informou que as montadoras Dacia e Ford suspenderiam a produção no país até 19 de agosto para ajudar a reduzir o déficit de energia.

Hungria

Na Hungria, onde a seca também ameaça o abastecimento energético do país, autoridades também realizaram intervenções para tentar aumentar o nível do Danúbio e garantir o resfriamento de Paks, a única usina nuclear do país. É a primeira vez desde a sua inauguração, há 44 anos, que ela corre o risco de parar. 

A planta, responsável por cerca de um terço da demanda elétrica do país, agora opera a 25% de sua capacidade.

A dependência da água dos rios para resfriar reatores nucleares é há muito tempo uma questão problemática e tem levado repetidamente à redução da produção de energia durante os meses de verão, especialmente na França, que depende da energia nuclear mais do que qualquer outro país.

Mas a intensidade da seca e do calor neste ano na Europa, continente que registrou um aquecimento maior do que qualquer outro, tornou o debate sobre adaptação climática mais urgente.

Vazões

Quase dois terços do Danúbio registraram, em julho, as menores vazões para o mês nos últimos 34 anos, segundo uma análise publicada na segunda-feira pelo Serviço de Monitoramento das Alterações Climáticas do Copernicus (C3S) , da União Europeia. 

De acordo com um relatório do grupo científico World Weather Attribution, a atual seca foi agravada pelas mudanças climáticas causadas pela ação humana, e a tendência é que o problema piore.

Os baixos níveis do Danúbio, o segundo rio mais longo da Europa, também afetaram severamente a navegação ao longo de seus 2.850 quilômetros, desde o oeste da Alemanha até sua foz no Mar Negro.

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