Na Avenida, Rosas de Ouro transforma Bolsonaro em jacaré
Quem assistiu ao desfile na segunda e última noite foi o sambista carioca Zeca Pagodinho. Ele aproveitou para pedir à população que se manifeste politicamente. Preocupado com a situação do país, disse que pode sair do Brasil.
Quem assistiu ao desfile na segunda e última noite foi o sambista carioca Zeca Pagodinho. Ele aproveitou para pedir à população que se manifeste politicamente. Preocupado com a situação do país, disse que pode sair do Brasil.
Por Redação, com RBA - de São Paulo
Perto do encerramento do desfile das escolas de samba do Grupo Especial de São Paulo, neste domingo, a Rosas de Ouro ironizou a atitude do presidente da República sobre a vacinação contra a covid-19. Uma personagem que representava o presidente se transformava em jacaré depois de receber uma dose. Ainda em 2020, ele declarou que não tomaria vacina e falou, como de hábito sem dados, em efeitos colaterais. Depois, decretou sigilo sobre o assunto.
Integrante da Escola de Samba Rosas de Ouro, na capital paulista, usa vacina para 'transformar' o presidente Bolsonaro em jacaré
Sexta escola a entrar no Sambódromo paulistano, a Rosas trouxe um enredo que abordou a cura dos males por meio da fé, magia e ciência. E do samba.
Desfiles
Na primeira noite, sexta-feira, desfilaram Acadêmicos do Tucuruvi, Colorado do Brás, Mancha Verde, Tom Maior, Unidos de Vila Maria, Acadêmicos do Tatuapé e Dragões da Real. Nas ultimas 12 horas, Vai Vai (que voltou ao grupo principal), Gaviões de Fiel, Mocidade Alegre (com homenagem a Clementina de Jesus), Águia de Ouro (campeã de 2020, com tema sobre educação), Barroca Zona Sul, Rosas de Ouro e Império da Casa Verde. Última a desfilar, nesta manhã, com o dia já claro, a Império fez homenagem aos comunicadores, trazendo o “influenciador digital” e humorista Carlinhos Maia.
Já a Gaviões, sem dar um nome específico, levou um “governante fascista” à avenida. O cabeleireiro Neandro Ferreira desfilou em uma ala cujos componentes estavam vestidos de militares.
Zeca Pagodinho
Quem assistiu ao desfile na segunda e última noite foi o sambista carioca Zeca Pagodinho. Ele aproveitou para pedir à população que se manifeste politicamente. Preocupado com a situação do país, disse que pode sair do Brasil.
— O povo precisa se manifestar, mesmo através da música, porque caso contrário o Brasil vai continuar assim, do jeito que está. Não quero ir embora daqui, mas do jeito que está eu penso em ir (…) O samba é a solução para o momento difícil atual. O samba, a MPB, a bossa nova. A música é o remédio — afirmou, a jornalistas.
No Rio de Janeiro, o desfile principal terminou com a apresentação da Vila Isabel, que homenageou o compositor e cantor Martinho da Vila, presidente de honra da escola. Antes, passaram pelo Sambódromo a Paraíso do Tuiuti, Portela, Mocidade Independente, Unidos da Tijuca e Grande Rio, que trouxe um evento sobre Exu, buscando combater o preconceito contra religiões de matriz africana. Na noite anterior, Imperatriz Leopoldinense, Mangueira, Salgueiro, São Clemente, Viradouro e Beija-Flor. A apuração será realizada na próxima terça-feira.