A Anthropic afirma na ação que a inclusão da empresa na lista é ilegal e viola seus direitos de liberdade de expressão e devido processo legal.
Por Redação, com Reuters – de Washington
A Anthropic entrou com uma ação judicial nesta segunda-feira para impedir que o Pentágono a coloque em uma lista de segurança nacional, aumentando o confronto da startup de inteligência artificial com os militares dos Estados Unidos sobre restrições de uso de sua tecnologia.

Na quinta-feira, o Pentágono impôs à Anthropic uma designação formal de risco à cadeia de suprimentos norte-americana, limitando o uso de uma tecnologia que, segundo uma fonte, estava sendo usada para operações militares no Irã.
A Anthropic afirma na ação que a inclusão da empresa na lista é ilegal e viola seus direitos de liberdade de expressão e devido processo legal. O processo no tribunal federal da Califórnia pede a um juiz que ordene a retirada da empresa da lista e impeça que agências federais a apliquem contra ela.
“Essas ações não têm precedentes e são ilegais. A Constituição não permite que o governo exerça seu enorme poder para punir uma empresa por seu discurso protegido”, disse Anthropic.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, designou a Anthropic como um risco à cadeia de suprimentos de segurança nacional dos EUA na semana passada, depois que a startup se recusou a remover barreiras contra o uso de sua IA para armas autônomas ou vigilância doméstica.
A designação representa uma grande ameaça aos negócios da Anthropic com o governo dos EUA, e o resultado pode moldar a forma como outras empresas de IA negociam restrições ao uso militar de sua tecnologia, embora o presidente-executivo da empresa, Dario Amodei, tenha esclarecido na quinta-feira que a designação tem “um escopo restrito” e que as companhias ainda poderiam usar suas ferramentas em projetos não relacionados ao Pentágono.
O presidente dos EUA, Donald Trump, também instruiu o governo norte-americano a parar de trabalhar com a Anthropic, cujos patrocinadores financeiros incluem Google e Amazon.com. Trump e Hegseth disseram que haveria uma eliminação gradual de seis meses dos produtos da empresa das instâncias do governo dos EUA.
Ações de Trump
As ações de Trump e Hegseth em 27 de fevereiro ocorreram após meses de conversas com a Anthropic sobre se as políticas da empresa poderiam restringir a ação militar e logo após Amodei ter se reunido com Hegseth na esperança de chegar a um acordo.
O Pentágono disse que a lei dos EUA, e não uma empresa privada, determina como defender o país e insistiu em ter total flexibilidade no uso da IA para “qualquer uso legal”, afirmando que as restrições da Anthropic poderiam colocar em risco vidas norte-americanas.
A Anthropic disse que mesmo os melhores modelos de IA não são confiáveis o suficiente para armas totalmente autônomas e que usá-las para esse fim seria perigoso. A empresa também traçou uma linha vermelha na vigilância doméstica dos norte-americanos, chamando isso de violação dos direitos fundamentais.
Após o anúncio de Hegseth, a Anthropic afirmou em um comunicado que a inclusão da empresa na lista de restrição seria juridicamente infundada e abriria um precedente perigoso para as companhias que negociam com o governo dos EUA. A empresa disse que não se deixaria influenciar por “intimidação ou punição” e, na quinta-feira, Amodei reiterou que a Anthropic iria recorrer à Justiça.
Amodei também se desculpou por um memorando interno publicado na quarta-feira pelo site de notícias de tecnologia The Information. No memorando, que foi escrito na última sexta-feira, Amodei disse que as autoridades do Pentágono não gostavam da empresa, em parte porque “não fizemos elogios ao estilo ditatorial a Trump”.
O Departamento de Defesa assinou acordos no valor de até US$200 milhões cada com os principais laboratórios de IA no ano passado, incluindo Anthropic, OpenAI e Google.
A OpenAI, apoiada pela Microsoft, anunciou um acordo para usar sua tecnologia na rede do Departamento de Defesa dos EUA logo depois que Hegseth colocou a Anthropic na lista de restrição. O presidente-executivo da OpenAI, Sam Altman, disse que o Pentágono compartilha os princípios da empresa, de garantir a supervisão humana dos sistemas de armas e de se opor à vigilância em massa dos EUA.