Rio de Janeiro, 29 de Julho de 2026

Água e gás ficam sob controle do crime organizado em Búzios

Denúncia do Ministério Público revela que criminosos impunham aumento no preço da água, controlavam a venda de gás e ameaçavam comerciantes em Armação dos...

Quarta, 29 de Julho de 2026 às 10:56, por: CdB

Denúncia do Ministério Público revela que criminosos impunham aumento no preço da água, controlavam a venda de gás e ameaçavam comerciantes em Armação dos Búzios.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

A atuação do crime organizado sobre o comércio de produtos essenciais chegou a Armação dos Búzios, na Região dos Lagos. Segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), uma organização criminosa passou a controlar a venda de botijões de gás e a impor um reajuste obrigatório no preço dos galões de água comercializados no município.

Pórtico de Búzios

De acordo com a denúncia, apresentada após a prisão de quatro suspeitos, os criminosos determinaram um aumento de R$ 2 no valor de cada galão de água vendido. O montante adicional deveria ser entregue ao grupo, enquanto comerciantes que se recusassem a cumprir a ordem eram ameaçados de perder o direito de continuar trabalhando.

Extorsão

A apuração foi conduzida pela 127ª DP (Armação dos Búzios), que prendeu três suspeitos em abril deste ano. Durante a operação, os policiais apreenderam sete celulares, R$ 10 mil em dinheiro e anotações contendo chaves Pix e dados de comerciantes da região.

Com o avanço das investigações, um quarto integrante da organização foi identificado e preso. Segundo a Polícia Civil, o grupo mantinha uma estrutura voltada à cobrança de taxas ilegais e ao controle da venda de botijões de gás, obrigando revendedores a adquirir os produtos de um único fornecedor indicado pelos criminosos.

Um dos comerciantes ouvidos pela polícia afirmou que teve sete botijões de gás roubados após comprar o produto em Cabo Frio para evitar os preços mais elevados praticados em Búzios, onde cada unidade poderia custar até R$ 150.

Ameaças

Ao retornar ao município, o revendedor contou que foi abordado pelos suspeitos, que tomaram toda a carga sob a alegação de que os botijões não poderiam ser revendidos por terem sido adquiridos em outra cidade.

Segundo o depoimento, após o episódio ele passou a receber mensagens determinando de quais fornecedores poderia comprar novos botijões. Outros dois comerciantes também procuraram a polícia relatando ameaças semelhantes. Em um dos casos, os criminosos citaram a retenção dos sete botijões como forma de intimidar a vítima.

Além do controle sobre o gás, comerciantes informaram que integrantes da quadrilha percorriam estabelecimentos impondo o aumento de R$ 2 no preço do galão de água, valor que deveria ser repassado à organização.

Na decisão que decretou a prisão dos investigados, o magistrado responsável pelo caso afirmou que os fatos revelam uma “estrutura organizada para dominar, mediante intimidação violenta, um setor essencial da economia local”.

O juiz também destacou que os crimes atingiram trabalhadores que dependem da revenda de gás para garantir a própria subsistência.

O caso ocorre em meio ao avanço da atuação de organizações criminosas sobre mercados considerados estratégicos no estado.

Reportagem publicada recentemente mostrou que grupos armados também passaram a controlar a distribuição de alimentos, produtos de limpeza e materiais de construção, impondo fornecedores e restringindo a livre concorrência.

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