Rio de Janeiro, 26 de Julho de 2026

Suspeito de lavar dinheiro ostentava luxo com renda de R$ 4 mil

Investigação da Polícia Civil e do MPRJ aponta que empresário movimentou milhões por meio de loja de celulares e exibia rotina de luxo em destinos como...

Domingo, 26 de Julho de 2026 às 12:12, por: CdB

Investigação da Polícia Civil e do MPRJ aponta que empresário movimentou milhões por meio de loja de celulares e exibia rotina de luxo em destinos como Dubai, Paris e Santorini.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

Um dos alvos da Operação Hawala, deflagrada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro e pelo Ministério Público do Estado (MPRJ), chamava atenção nas redes sociais pela ostentação de viagens internacionais e carros de luxo. Segundo os investigadores, Samuel Morais da Hora, de 36 anos, declarava renda mensal de apenas R$ 4 mil às instituições financeiras, mas exibia um padrão de vida incompatível com esse rendimento.

Samuel à beira de uma piscina em Santorini, na Grécia

De acordo com a investigação, Samuel é sócio da empresa SN Cell Peças, Acessórios e Equipamentos Ltda., localizada na região da Uruguaiana, no Centro do Rio. Em apenas nove meses, a loja movimentou cerca de R$ 14,8 milhões. Para o Ministério Público, os valores e o estilo de vida apresentado nas redes sociais reforçam as suspeitas de participação em um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro ligado a organizações criminosas.

O g1 informou que não conseguiu localizar a defesa de Samuel até a publicação da reportagem.

Operação

A Operação Hawala foi deflagrada em 15 de julho por agentes da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ).

Ao todo, a Justiça expediu 10 mandados de prisão e 37 mandados de busca e apreensão em endereços no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Foz do Iguaçu. A 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Tribunal de Justiça do Rio também determinou o bloqueio de ativos financeiros, além da indisponibilidade de bens e participações societárias dos investigados.

As investigações tiveram início após a Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM) identificar uma loja instalada no Complexo do São Carlos, ligada à cúpula da facção Terceiro Comando Puro (TCP). O estabelecimento comercializava produtos falsificados e, segundo a polícia, também recebia aparelhos eletrônicos roubados.

A partir desse núcleo, os investigadores rastrearam uma rede formada por dezenas de empresas de fachada espalhadas por diferentes estados, utilizadas para ocultar e movimentar recursos provenientes do tráfico de drogas. O grupo também recorria à prática conhecida como “smurfing”, que consiste na realização de diversos depósitos fracionados em dinheiro para dificultar a identificação das operações pelos órgãos de controle financeiro.

Viagens internacionais

Nas redes sociais, Samuel se apresentava como CEO da SN Cell e compartilhava registros de viagens para destinos como Nova Iorque, Paris, Santorini, na Grécia, e Dubai.

Em uma das publicações feitas nos Emirados Árabes Unidos, aparece fantasiado de príncipe enquanto dirige um veículo de luxo. Já em Paris, publicou um vídeo conduzindo uma Ferrari pelas ruas da capital francesa, acompanhado da legenda: “Testando a Ferrari. Se eu gostar vou comprar a minha. rs”. Em outra postagem, surge contemplando o pôr do sol em uma piscina de borda infinita em Santorini.

Outro preso na operação foi Yago Jorge de Souza Daniel, sócio de Samuel na SN Cell. Segundo a investigação, ele fazia a ligação entre o grupo do Rio e os irmãos libaneses Reda, Yasser e Kassem Zayoun, proprietários de lojas de acessórios para celulares no Centro de São Paulo.

Os investigadores apontam que uma das empresas de Reda Zayoun transferiu aproximadamente R$ 2,8 milhões para a loja carioca. O caso também revelou que diversas empresas envolvidas foram abertas em nome de jovens com menos de 23 anos e utilizavam o mesmo contador, Thierry Martins Lourenço Ribeiro, que também foi preso durante a operação.

A movimentação financeira do grupo foi analisada em quatro relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e posteriormente aprofundada pelo Laboratório de Tecnologia Contra a Lavagem de Dinheiro da Polícia Civil.

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