A candidatura de Caiado interrompe a estratégia de aproximação do agronegócio ao filho ’01’, como o senador esperava.
Por Redação – de Brasília
A pré-candidatura do pecuarista e ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) tem mudado o cenário político no campo da direita e causado um verdadeiro êxodo no apoio do agronegócio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A divisão entre lideranças rurais que, até então, avaliavam consolidar apoio ao campo conservador, na opinião de analistas, significa um profundo golpe nas expectativas do campo neofascista.

A candidatura de Caiado interrompe a estratégia de aproximação do agronegócio ao filho ’01’, como o senador esperava. Líderes do setor passaram a adotar maior cautelosa nas manifestações públicas de apoio e passam a conversar com maior frequência com outros candidatos da direita.
Apesar do desempenho inferior nas pesquisas, Caiado possui forte relação com o agronegócio. Durante sua gestão em Goiás, adotou políticas consideradas favoráveis ao setor, o que fortalece sua imagem entre produtores rurais. Dados do Ministério da Agricultura indicam que o Estado registrou crescimento de 23% nas exportações de grãos em 2025, reforçando a percepção positiva de sua administração.
Observação
Entre os principais atores do agronegócio, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, reconheceu que o “agronegócio vai ficar dividido entre Caiado e Flávio no primeiro turno”.
— Não tem uma preferência. O setor está muito vocacionado nesses dois nomes e ainda está acompanhando o cenário — afirmou.
Segundo Meirelles, os próximos passos sintetizam a apresentação de uma pauta comum aos candidatos, incluindo demandas como segurança jurídica no campo, previsibilidade para o Plano Safra, ampliação do seguro rural e melhorias em infraestrutura, especialmente armazenagem. Esse conjunto de propostas já foi entregue tanto a Caiado quanto a Flávio Bolsonaro.
Conflitos
A chegada de Caiado também empresta um peso simbólico à disputa. Médico e ruralista, o pré-candidato do PSD foi um dos fundadores da União Democrática Ruralista (UDR), organização que ganhou notoriedade nos anos 1980 ao declarar apoio incondicional à propriedade privada em meio a conflitos fundiários, o que lhe valeu o apelido de “padrinho do agro”.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por sua vez, também busca ampliar o diálogo com os ruralistas, embora enfrente resistências. Declarações consideradas controversas pelo setor e divergências ideológicas dificultam a aproximação, mesmo diante de iniciativas como o aumento de recursos no Plano Safra.
No campo bolsonarista, a mudança no cenário é vista como um revés. O agronegócio era considerado um dos pilares da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, capaz de conferir sustentação econômica e política. Assim, o apoio se torna alvo de uma disputa cada vez mais acirrada.