Rio de Janeiro, 05 de Abril de 2026

Agronegócio se afasta da candidatura de ’01’ para apoiar Caiado

A candidatura de Ronaldo Caiado muda o cenário político do agronegócio, que reavalia seu apoio a Flávio Bolsonaro em meio a novas alianças na direita.

Domingo, 05 de Abril de 2026 às 15:06, por: CdB

A candidatura de Caiado interrompe a estratégia de aproximação do agronegócio ao filho ’01’, como o senador esperava.

Por Redação – de Brasília

A pré-candidatura do pecuarista e ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) tem mudado o cenário político no campo da direita e causado um verdadeiro êxodo no apoio do agronegócio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A divisão entre lideranças rurais que, até então, avaliavam consolidar apoio ao campo conservador, na opinião de analistas, significa um profundo golpe nas expectativas do campo neofascista.

Agronegócio se afasta da candidatura de ’01’ para apoiar Caiado | Os ruralistas passam a rever o apoio ao candidato bolsonarista
Os ruralistas passam a rever o apoio ao candidato bolsonarista

A candidatura de Caiado interrompe a estratégia de aproximação do agronegócio ao filho ’01’, como o senador esperava. Líderes do setor passaram a adotar maior cautelosa nas manifestações públicas de apoio e passam a conversar com maior frequência com outros candidatos da direita.

Apesar do desempenho inferior nas pesquisas, Caiado possui forte relação com o agronegócio. Durante sua gestão em Goiás, adotou políticas consideradas favoráveis ao setor, o que fortalece sua imagem entre produtores rurais. Dados do Ministério da Agricultura indicam que o Estado registrou crescimento de 23% nas exportações de grãos em 2025, reforçando a percepção positiva de sua administração.

 

Observação

Entre os principais atores do agronegócio, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, reconheceu que o “agronegócio vai ficar dividido entre Caiado e Flávio no primeiro turno”.

— Não tem uma preferência. O setor está muito vocacionado nesses dois nomes e ainda está acompanhando o cenário — afirmou.

Segundo Meirelles, os próximos passos sintetizam a apresentação de uma pauta comum aos candidatos, incluindo demandas como segurança jurídica no campo, previsibilidade para o Plano Safra, ampliação do seguro rural e melhorias em infraestrutura, especialmente armazenagem. Esse conjunto de propostas já foi entregue tanto a Caiado quanto a Flávio Bolsonaro.

 

Conflitos

A chegada de Caiado também empresta um peso simbólico à disputa. Médico e ruralista, o pré-candidato do PSD foi um dos fundadores da União Democrática Ruralista (UDR), organização que ganhou notoriedade nos anos 1980 ao declarar apoio incondicional à propriedade privada em meio a conflitos fundiários, o que lhe valeu o apelido de “padrinho do agro”.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por sua vez, também busca ampliar o diálogo com os ruralistas, embora enfrente resistências. Declarações consideradas controversas pelo setor e divergências ideológicas dificultam a aproximação, mesmo diante de iniciativas como o aumento de recursos no Plano Safra.

No campo bolsonarista, a mudança no cenário é vista como um revés. O agronegócio era considerado um dos pilares da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, capaz de conferir sustentação econômica e política. Assim, o apoio se torna alvo de uma disputa cada vez mais acirrada.

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