Mas permanecerá candidato, segundo os analistas ouvidos pela jornalista, porque uma eventual retirada da disputa seria interpretada como admissão de culpa pela própria família Bolsonaro.
Por Redação – de São Paulo
O vexame por que passa o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), após a descoberta do relacionamento entre ele o ex-banqueiro Daniel Vorcaro é visto por analistas políticos como um fator decisivo para a sucessão presidencial de 2026. Na avaliação predominante, conforme apurou a colunista do diário conservador paulistano Folha de S. Paulo Mônica Bergamo, o filho ’01’ do ex-mandatário neofascista Jair Bolsonaro (PL) entrou em uma espiral negativa “irreversível”.

Mas permanecerá candidato, segundo os analistas ouvidos pela jornalista, porque uma eventual retirada da disputa seria interpretada como admissão de culpa pela própria família Bolsonaro. Para a direção do PT, no entanto, não poderia haver um cenário mais favorável do que esse para a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Integrantes influentes do PT avaliam que a permanência de ’01′ na corrida presidencial avaliam que o senador será um candidato enfraquecido, mas ao mesmo tempo impedirá a consolidação de alternativas competitivas no campo da ultradireita.
Mentiras
Para a direção da campanha petista, a crise gerada pela produção cinematográfica milionária atingiu diretamente o principal ativo político do bolsonarismo: o discurso moralista construído ao longo dos últimos anos. O episódio envolve pedidos de dinheiro feitos por Flávio Bolsonaro ao então dono do Banco Master para financiar o filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
A sucessão de versões contraditórias e explicações consideradas frágeis ampliou o desgaste político do senador. A leitura predominante, no núcleo petista, é de que o caso atingiu não apenas Flávio, mas toda a narrativa construída pela família Bolsonaro.
Aliados
O cenário mudou rapidamente após a divulgação dos áudios pelo Intercept Brasil. Desde então, setores da direita passaram a discutir reservadamente os riscos eleitorais da manutenção da candidatura de Flávio Bolsonaro. Apesar disso, aliados do senador reconhecem que uma retirada da disputa poderia abrir espaço para interpretações ainda mais devastadoras sobre o episódio.
Para o PT, essa armadilha política tende a beneficiar diretamente Lula. Com Flávio enfraquecido, mas ainda ocupando o espaço central do bolsonarismo, outros nomes da direita teriam dificuldade para crescer eleitoralmente e construir uma candidatura competitiva capaz de unificar o campo neoliberal em 2026.