Rio de Janeiro, 29 de Setembro de 2026

'01' perde votos entre evangélicos, ao levantar estátua de N. S. Aparecida

O debate, acompanhado pela ampla maioria do eleitorado brasileiro, ocorre em meio à polêmica envolvendo publicações nas redes sociais que atribuem a Flávio Bolsonaro e a políticos de ultradireita a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de 'Padroeira do Brasil'.

Terça, 29 de Setembro de 2026 às 18:35, por: CdB

O debate, acompanhado pela ampla maioria do eleitorado brasileiro, ocorre em meio à polêmica envolvendo publicações nas redes sociais que atribuem a Flávio Bolsonaro e a políticos de ultradireita a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de ‘Padroeira do Brasil’.

Da Redação – de São Paulo

Senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ou filho ’01’ como também é conhecido, ao levantar a imagem de Nossa Senhora Aparecida, na véspera, durante uma caminhada ao lado do governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), no Centro da capital paulista, cometeu um ato ofensivo a uma parcela do eleitorado evangélico que sustenta a candidatura da extrema direita.

N.S. Aparecida
O ato de Flavio de levantar a imagem soou ofensivo a uma parcela do eleitorado evangélico

Pesquisas internas do PL apontam, segundo apurou a reportagem do Correio do Brasil nesta terça-feira, que o gesto foi mau visto por um segmento da religião protestante, contrário à veneração de imagens sacras. A estatueta da Padroeira do Brasil foi entregue a ’01’ por uma seguidora, durante o ato. Em seguida, o senador e Freitas ergueram juntos a imagem diante dos apoiadores, na tentativa de se afastar do ato de agressão bolsonarista à santa católica mais venerada no Brasil, que domina o noticiário político nos últimos dias.

Campanha

No mesmo ato, ’01’ Bolsonaro voltou ao tema.

— Eu estava esperando a nota da CNBB e saiu hoje. Foi muito boa a nota dela, esclarecedora, porque confirma que essa questão de Nossa Senhora Aparecida deixar de ser a padroeira do Brasil é uma grande mentira, é a maior fake news dessa campanha — argumentou ’01’.

A CNBB, no entanto, divulgou nota em que chama de ‘mentira’ a tentativa de ligar a Igreja Católica ao que ele chama de ‘fake news’ conforme foi acusada pelo próprio candidato de ter integrantes envolvidos na disseminação da suposta informação falsa. No domingo, o filho de Jair Bolsonaro (PL) afirmou, sem apresentar provas, que o PT havia conseguira espalhar a ‘fake news’ “com ajuda de gente de dentro” da instituição católica. A Santa Sé negou a acusação e afirmou que “a mentira não se combate com outra mentira”.

O debate, acompanhado pela ampla maioria do eleitorado brasileiro, ocorre em meio à polêmica envolvendo publicações nas redes sociais que atribuem a Flávio Bolsonaro e a políticos de ultradireita a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de ‘Padroeira do Brasil’.

Neofascismo

A controvérsia, no entanto, chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ampliou o enfrentamento entre as duas correntes, marcadas por progressistas e o neofascismo defendido por bolsonaristas.

O assunto ganhou repercussão na quinta-feira, durante o programa ‘Em Pauta’, do canal de TV por assinatura ‘GloboNews’, a jornalista Maria Cristina Fernandes relatou haver um movimento na Igreja Católica de reação a uma parcela de evangélicos que estaria tentando reavivar o Projeto de Lei que chegou a tramitar na Casa, para um novo ataque à Santa Padroeira do Brasil. A emissora chegou, posteriormente, a corrigir a informação e esclarecer não existir atualmente algum projeto com esse conteúdo no Congresso.

A proposta, de autoria do então deputado Professor Victorio Galli, hoje aliado dos bolsonaristas, que chegou a ser apresentada em 2007, foi arquivada no ano seguinte. O projeto pretendia substituir “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.

Edições digital e impressa