O mecanismo atual coloca preços maiores para a geração de energia, sobretudo pelo menor volume de água nas hidrelétricas, de forma a transmitir de forma mais imediata à famílias para que, informadas do maior custo, consumam de maneira mais consciente.
Por Redação, com Reuters – de São Paulo
O sistema de bandeiras tarifárias que integra a conta de luz e permite repassar mensalmente aos consumidores os maiores custos com a geração de energia, no país, completa uma década este ano. Embora seja interpretado como um avanço relevante, o mecanismo passou a ser visto nos últimos anos pelo setor elétrico como ultrapassado e, agora, tornou-se alvo de cobranças para que seja aperfeiçoado ou até substituído.

O mecanismo atual coloca preços maiores para a geração de energia, sobretudo pelo menor volume de água nas hidrelétricas, de forma a transmitir de forma mais imediata à famílias para que, informadas do maior custo, consumam de maneira mais consciente.
Hidrelétricas
O repasse, anteriormente, ocorria de maneira defasada no reajuste anual das tarifas, o que poderia, sem uma moderação no uso da eletricidade, impulsionar ainda mais o acerto de contas das distribuidoras.
Cabe à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) escolher a bandeira tarifária mensalmente, a qual é aplicada conforme a cor (verde, amarela, vermelha patamar 1 ou vermelha patamar 2). A definição utiliza diferentes variáveis, sendo a principal o Preço de Liquidação de Diferenças (PLD), indicador que leva em conta o valor da geração de energia e é influenciado principalmente pelas condições dos reservatórios das hidrelétricas e pela consequente necessidade de acionamento de termoelétricas.
O mecanismo das bandeiras, no entanto, não leva em conta um aspecto que se tornou mais evidente nos últimos anos no país: a variação de preço de geração por faixas horárias. Com a expansão significativa das usinas solares no país, a energia ficou mais abundante e barata durante o dia.
Hora de pico
Quando anoitece, outros tipos de fontes mais caras (como as termelétricas) são acionadas para atender à demanda. Como resultado, consumir energia de dia é mais econômico para o país – e no começo da noite, por exemplo, mais caro.
Pedrosa propõe que a flutuação de preço seja transmitida ao consumidor por por hora.
— A gente deveria dar mais sinal econômico para o preço da energia variar mais, inclusive ao longo do dia. Para que as donas de casa e os donos de casa usem máquina de lavar no pico da energia solar, quando sobra energia no Brasil. Às 16h o custo da energia deveria ser zero, e às 18h pode passar de R$ 1.500 o MWh (megawatt-hora). O sinal econômico do preço tem que ser do conhecimento dos consumidores e eles têm que reagir (adaptando o comportamento de consumo) — conclui.