Graças ao primeiro-ministro húngaro e ao seu partido, foi tornada pública uma lista de políticos que trabalham para os interesses do financista bilionário George Soros nas instituições europeias.
Por Redação, com Sputniknews - de Bruxelas
O registro enumera os membros do Parlamento Europeu que promovem projetos do magnata. Eles aprovam emendas na legislação da UE. Os tentáculos do multibilionário se espalham por todo o mundo. Aqui, no Brasil, ele é suspeito de ter financiado o golpe de Estado contra a presidenta Dilma Rousseff (PT). O empresário é sócio do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga Neto. Até 1999, Fraga Neto era diretor do Soros Fund Management.
A ideia de que o bilionário George Soros estaria interferindo ativamente na política mundial; e que poderá controlar países inteiros, geralmente, foi considerada uma das típicas teorias da conspiração.
Contra a Rússia
No entanto, a questão veio à tona de novo. O deputado Hollik Istvan anunciou, perante o parlamento húngaro, que o financista já controla ao menos um terço dos deputados do Parlamento Europeu.
Istvan se baseou em um enorme registro de documentos internos de George Soros, revelado pelo portal DCLeaks. A página enumera os deputados europeus e determina quem é patrocinado por organizações filiadas na Open Society Foundation. A instituição é chefiada por Soros. No total, nessa lista aparecem 226 dos 751 deputados do Parlamento Europeu.
Entre as ideias que se recomenda promover estão a democracia, a igualdade social e a de gênero; a abertura das fronteiras à imigração, a aproximação da Ucrânia à UE. E, claro, a luta contra quaisquer de seus laços com a Rússia.
Tomada de decisão
Esta "rede" europeia da Open Society Foundation inclui políticos de baixo calibre. Mas também outros de grande peso, como o presidente do Parlamento Europeu entre 2012 e 2017, Martin Schulz; o premiê da Bélgica entre 1999 e 2008, Guy Verhofstadt; e o atual líder do grupo socialista europeu, o italiano Gianni Pittella.
— A partir desses arquivos e documentos, podemos descobrir que a rede de George Soros tem uma influência significativa sobre os líderes da União Europeia residentes em Bruxelas — disse o político aos deputados húngaros.
De acordo com os documentos, nas vésperas das eleições europeias de 2014, o financista doou US$ 6 milhões (cerca de R$ 20 milhões) a 90 organizações não governamentais; para que influenciassem a tomada de decisões conforme a linha da fundação.
O caso mais recente foi protagonizado pela Comissão das Liberdades Civis, Justiça e Assuntos Internos (LIBE) do Parlamento Europeu. A instância adotou uma proposta favorável à imigração; apesar da oposição do Grupo de Visegrad (Hungria, Polónia, República Tcheca e Eslováquia).
Elites políticas
A maioria dos membros da LIBE está na lista de Soros, observa o político. Os documentos apontam para a contribuição especial de Sylvie Guillem, dos socialdemocratas franceses; e de Jean Lambert, dos verdes britânicos. Ambos são ardentes promotores da reforma imigratória na UE; que prevê uma maior aceitação dos refugiados.
— O assassino em massa mais procurado no Paquistão, acusado de 70 assassinatos pelas autoridades, foi capturado na fronteira do sul da Hungria. Apesar disso, ele conseguiu receber o status de refugiado na Grécia e chegar à fronteira com a Hungria — contou Istvan com indignação.
Hollik Istvan é membro do movimento político Fidesz, do primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban.
Já faz muito que o dirigente húngaro vem tentando combater os projetos de interferência de Soros em seu país. Desde março de 2017, não cessam os litígios para encerrar a Universidade Central Europeia, fundada graças ao dinheiro de Soros em Budapeste e que formou várias gerações de elites políticas da UE.
Brexit enrolado
No front onde atua o bilionário, no entanto, as nuvens são de tempestade. A economia britânica crescerá mais lentamente no curto prazo se o país não conseguir assegurar um acordo para a futura relação comercial com a União Europeia depois do Brexit, disse neste domingo o presidente do Banco da Inglaterra (BoE), Mark Carney.
Ao ser questionado em entrevista à emissora ITV se a economia britânica seria prejudicada caso não houvesse acordo sobre o Brexit, ele respondeu:
-- A resposta curta é sim, no curto prazo. No curto prazo, sem dúvida, se tivermos materialmente menos acesso (à UE) do que temos agora. Essa economia precisará se reorientar e este período de tempo pesará sobre o crescimento”, acrescentou Carney.