Na entrevista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao programa Fantástico, da TV Globo, que foi ao ar neste domingo, o PT voltou ao centro dos debates. Lula deixou claro que gostaria de ouvir um pedido de desculpas daqueles que o acusaram de cumplicidade com os escândalos que tomaram conta do país desde meados de 2005. Mas não espera o mesmo para o PT. Segundo disse o presidente, o futuro guarda dias muito difíceis para o partido que vai "sangrar muito" até conseguir de volta a credibilidade perdida.
O presidente afirmou, ao jornalista Pedro Bial, que não tem pressa e que terá "muita coisa a colher" neste ano eleitoral. Por outro lado, o presidente admitiu que o Partido dos Trabalhadores ainda deve sofrer consequências das denúncias de corrupção que marcaram 2005.
- O PT vai sangrar muito para poder se colocar diante da sociedade outra vez com uma credibilidade que ele conquistou ao longo de 20 anos. O PT cometeu um erro que é de uma gravidade incomensurável. Todo mundo sabe, e sabe o PT hoje, e sabe quem cometeu os erros, que o PT cometeu um erro que será de difícil reparação pelo próprio PT - afirmou.
Segundo o presidente, uma decisão sobre concorrer à reeleição dependerá ainda de conversas com a base de apoio político e com representantes da sociedade brasileira. O presidente insistiu que não tem pressa.
- A minha preocupação neste instante não é com reeleição. Minha preocupação neste instante é que tenho um ano para governar este país. Se na hora que for decidir, lá pro meio do ano, chegar à conclusão de que eu possa ser candidato porque interessa às forças políticas que me apóiam, eu também não tenho nenhum problema - afirmou.
O presidente antecipou os resultados positivos nas áreas social, de educação e energia a serem anunciados este ano.
- Eu não tenho pressa, quem tem pressa são meus adversários. Tenho que governar o Brasil até 31 de dezembro e tenho muita coisa pra fazer e muita coisa para colher. Você sabe que é assim: você planta, rega e um belo dia começa a colher - disse.
Lula também acrescentou que participará das cerimônias de lançamento dos programas sociais e acredita em um forte crescimento este ano.
- Coisa que tenho certeza de dizer ao povo brasileiro é que 2006 será o ano, será o ano do povo brasileiro, porque está tudo engatilhado, tudo preparado, tudo armado para que o Brasil tenha um forte crescimento, uma forte distribuição de renda, muito emprego para esse povo - afirmou.
A entrevista foi gravada na última semana de 2005.