O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, anunciou neste domingo na Conferência de Segurança de Munique que apresentará uma estratégia antiterrorista para as Nações Unidas na visita que fará em março a Madri.
Fontes próximas ao secretário-geral destacaram o simbolismo da decisão de Annan, que mostra assim sua repulsa ao atentado da Al Qaeda que atingiu o coração da capital espanhola em 11 de março de 2004.
Annan explicou, em sua intervenção na Conferência de Segurança, que a estratégia antiterrorista que apresentará em Madri reunirá algumas das recomendações do "Painel sobre Ameaças, Desafios e Mudanças", integrado por dezesseis personalidades
Entre as sugestões desse painel, está a criação de um fundo para ajudar os Estados membros a cumprir as obrigações antiterroristas impostas pelo Conselho de Segurança.
- A ONU deve mostrar tolerância zero com o terrorismo de todos os tipos e por qualquer razão - afirmou Annan.
Adiantou que o painel, cujo relatório será apresentado por Annan no mês próximo, chegou a uma definição de terrorismo, "tarefa que os estados estiveram eludindo até agora".
- Os estados deveriam usar essa definição para concluir e adotar um convenção antiterrorista ampla, que deixe claro que qualquer objetivo civil é totalmente inaceitável - destacou Annan em um discurso cheio de "ambições e desafios".
O secretário-geral afirmou que "nosso mundo deveria levar mais a sério a biossegurança", pois, segundo o relatório do painel, "seria comparativamente fácil para os terroristas provocar um massacre utilizando agentes virológicos ou antraz".
- Não esperemos até que algo tremendo ocorra para reagir de forma coletiva à ameaça - ressaltou o secretário-geral, que instou o Conselho de Segurança a iniciar o trabalho agora, em consulta com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Annan lembrou, por outro lado, que a segurança é uma tarefa coletiva e que para chegar a ela não podem ser esquecidos os aspectos relacionados ao respeito dos direitos humanos, ao desenvolvimento e à democracia.