Rio de Janeiro, 13 de Junho de 2026

Trump diz que líder do Tren de Aragua morreu em ação dos EUA

Donald Trump revela que Niño Guerrero, líder do Tren de Aragua, foi morto em operação dos EUA em coordenação com o governo venezuelano. Entenda os detalhes.

Sábado, 13 de Junho de 2026 às 12:33, por: CdB

Segundo Trump, o Comando Sul dos Estados Unidos realizou um ataque “rápido e letal” que “executou com sucesso” Niño Guerrero em uma operação conduzida em estreita coordenação com o governo venezuelano.

Por Redação, com BBC News – de Washington

Donald Trump anunciou na noite de sexta-feira que as Forças Armadas dos Estados Unidos mataram Héctor Rusthenford Guerrero Flores, mais conhecido como Niño Guerrero, considerado o líder do grupo criminoso venezuelano Tren de Aragua.

Pôster com imagens de Niño Guerrero divulgado pelo governo venezuelano em 2023

Em uma mensagem publicada em sua plataforma Truth Social, o presidente americano afirmou que o Comando Sul dos EUA realizou um ataque “rápido e letal” que “executou com sucesso” Guerrero Flores.

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A operação foi conduzida em estreita coordenação com o governo venezuelano, segundo Trump, que não especificou onde ou quando a ação ocorreu.

O presidente americano também compartilhou um vídeo que mostra o momento em que um projétil atinge um prédio, que em seguida explode em chamas.

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, publicou no X (antigo Twitter) que a captura ocorreu no início desta semana, sem fornecer mais detalhes.

– Esta ação reforça o compromisso compartilhado entre os Estados Unidos e a Venezuela no combate aos narcoterroristas e na negação de qualquer refúgio seguro para eles em nosso hemisfério – afirmou.

A Casa Branca, o Pentágono e o Comando Sul ainda não divulgaram mais informações sobre a operação.

O Departamento de Estado dos EUA havia oferecido uma recompensa de até US$ 5 milhões (R$ 25,3 milhões) por informações que levassem à captura de Guerrero Flores.

Niño Guerrero foi indiciado em dezembro por um tribunal federal de Nova York por conspiração para cometer extorsão e outros crimes, incluindo apoio a atividades terroristas, segundo as autoridades da época.

O procurador federal Jay Clayton declarou então que a organização era responsável por inúmeros atos de violência, extorsão e tráfico de drogas na América do Norte, América do Sul e Europa.

O Tren de Aragua é considerado uma organização terrorista pelos Estados Unidos.

Um ataque ‘rápido e letal’

– Sob minhas ordens, o Comando Sul dos Estados Unidos realizou um ataque cinético rápido e letal para executar com sucesso Niño Guerrero, o infame líder do Tren de Aragua, uma das organizações terroristas mais sanguinárias do planeta – escreveu Trump em sua publicação.

Ele indicou que “a ação foi coordenada em estreita colaboração com nossos amigos na Venezuela, com quem estamos trabalhando muito bem”.

– Como resultado, os terroristas do Tren de Aragua não têm mais refúgio seguro na Venezuela ou em qualquer outro lugar, e sob minha liderança, encontraremos esses assassinos impiedosos e narcotraficantes a qualquer hora, em qualquer lugar, e os enviaremos para as profundezas do inferno, onde é o lugar deles – declarou ainda Trump.

Guerrero Flores, de 43 anos, era considerado pelas autoridades americanas o principal líder do Tren de Aragua há mais de uma década.

Segundo procuradores federais, sob seu comando, a organização cresceu de uma gangue que surgiu em uma prisão venezuelana para uma rede criminosa transnacional com presença em diversos países das Américas, incluindo os Estados Unidos e o Brasil.

Guerrero Flores também ficou conhecido por relatos sobre as condições privilegiadas de que supostamente desfrutou durante parte do tempo em que esteve preso na Venezuela sob a presidência de Nicolás Maduro.

Os militares americanos capturaram Maduro em Caracas em 3 de janeiro e o transferiram para Nova York, onde ele enfrenta múltiplas acusações.

Quem era Niño Guerrero?

De acordo com perfis biográficos e artigos de imprensa, Héctor Rusthenford Guerrero Flores nasceu em 1983 em Maracay, estado de Aragua, embora diferentes fontes discordem sobre sua data de nascimento exata.

Niño Guerrero começou a aparecer nos registros da polícia venezuelana no início dos anos 2000.

Em 2005, ele foi acusado de atirar em um policial que acabou falecendo.

Ele foi preso em 2010 por crimes relacionados a homicídio, tráfico de drogas e roubo, fugiu da prisão em 2012 e foi recapturado no ano seguinte, retornando à prisão de Tocorón.

Longe de perder influência atrás das grades, ele consolidou seu poder lá dentro e se tornou o principal “pran”, ou líder prisional, da Venezuela.

Especialistas consultados pela agência britânica de notícias BBC News indicam que a expansão internacional do grupo seguiu em grande parte as rotas da migração venezuelana.

As autoridades atribuem à organização crimes como extorsão, sequestro, tráfico de drogas, tráfico de pessoas, contrabando de migrantes, mineração ilegal e lavagem de dinheiro.

Segundo promotores dos EUA, Guerrero liderou por mais de uma década uma estrutura criminosa que estendeu suas operações a países como Colômbia, Peru, Chile, Equador, Brasil e Panamá, tornando-se uma das organizações criminosas transnacionais mais conhecidas da região.

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