Rio de Janeiro, 14 de Janeiro de 2026

Toffoli critica demora da PF para cumprir mandados contra Vorcaro

Ministro Dias Toffoli questiona a Polícia Federal sobre a demora no cumprimento de mandados na investigação do Banco Master, envolvendo Nelson Tanure e Fabiano Zettel.

Quarta, 14 de Janeiro de 2026 às 19:42, por: CdB

O comentário de Toffoli consta na decisão que ordenou os pedidos de busca e apreensão contra o empresário Nelson Tanure e de busca e prisão temporária de Fabiano Zettel, cunhado do CEO do Master, Daniel Vorcaro.

Por Redação – de Brasília

Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli indicou uma possível demora da Polícia Federal (PF) no desenlace da nova fase da operação envolvendo o Banco Master. O magistrado exigiu explicações do chefe da corporação, Andrei Rodrigues, sobre o fato de não ter cumprido no tempo estabelecido a ordem para promover a ação policial desta quarta-feira.

Toffoli critica demora da PF para cumprir mandados contra Vorcaro | O ministro Dias Toffoli não poupou a direção da PF, no caso do Banco Master
O ministro Dias Toffoli não poupou a direção da PF, no caso do Banco Master

O comentário de Toffoli consta na decisão que ordenou os pedidos de busca e apreensão contra o empresário Nelson Tanure e de busca e prisão temporária de Fabiano Zettel, cunhado do CEO do Master, Daniel Vorcaro, relativo à nova fase da investigação sobre o Master.

No despacho, divulgado pelo STF, o ministro citou que o pedido de medidas cautelares feito pela PF foi apresentado no dia 6 de janeiro e autorizado por ele no dia 7 de janeiro. O prazo de cumprimento, conforme Toffoli, era de 24 horas a partir do dia 12 de janeiro, “diante da gravidade dos fatos e necessidade de aprofundamento da investigação, com fartos indícios de práticas criminosas de todos os envolvidos”.

 

Empenho

De acordo com Toffoli, “causa espécie” o fato de ter havido descumprimento do prazo das medidas cautelares ordenadas e a falta de empenho de cumprir a ordem porque a PF teve vários dias para preparar a operação. Tudo isso, destacou, “poderá resultar em prejuízo e ineficácia das providências ordenadas”. Ainda segundo o magistrado, a PF decidiu adotar novas providências urgentes apenas para a operação na noite passada.

“Observo, ainda, que eventual frustração do cumprimento das medidas requeridas decorre de inércia exclusiva da Polícia Federal, inclusive diante de inobservância expressa e deliberada de decisão por mim proferida na data de 12.01.2026, que determinou a deflagração da presente fase no prazo de 24 horas (e-doc. nº 56, assinado às 14:52 horas e juntado aos autos às 15:15 horas), e que eventual prejuízo às demais medidas em decorrência do presente pedido são de inteira responsabilidade da autoridade policial”, destacou o ministro do STF, no despacho.

Toffoli determinou que o chefe da PF explique a situação em até 24 horas. Procurada, a PF não respondeu de imediato sobre os questionamentos de Toffoli sobre a suposta demora em deflagrar a operação.

 

Repercussão

O ministro do STF ordenou ainda que todos os materiais e bens apreendidos na operação desta quarta-feira sejam lacrados e acautelados para serem diretamente encaminhados ao Supremo, sem detalhar no entanto onde o material será guardado. Geralmente a praxe é que documentos apreendidos em uma ação sejam levados para a PF e analisados pela própria corporação.

Após a repercussão das críticas, investigadores da PF reagiram às declarações do magistrado e negaram qualquer paralisação deliberada da operação. De acordo com fontes que acompanham de perto o inquérito, a corporação aguardava definições judiciais para avançar com a nova etapa das diligências.

— Ao contrário, passamos meses esperando essa operação — protestou um agente federal.

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