O comentário de Toffoli consta na decisão que ordenou os pedidos de busca e apreensão contra o empresário Nelson Tanure e de busca e prisão temporária de Fabiano Zettel, cunhado do CEO do Master, Daniel Vorcaro.
Por Redação – de Brasília
Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli indicou uma possível demora da Polícia Federal (PF) no desenlace da nova fase da operação envolvendo o Banco Master. O magistrado exigiu explicações do chefe da corporação, Andrei Rodrigues, sobre o fato de não ter cumprido no tempo estabelecido a ordem para promover a ação policial desta quarta-feira.

O comentário de Toffoli consta na decisão que ordenou os pedidos de busca e apreensão contra o empresário Nelson Tanure e de busca e prisão temporária de Fabiano Zettel, cunhado do CEO do Master, Daniel Vorcaro, relativo à nova fase da investigação sobre o Master.
No despacho, divulgado pelo STF, o ministro citou que o pedido de medidas cautelares feito pela PF foi apresentado no dia 6 de janeiro e autorizado por ele no dia 7 de janeiro. O prazo de cumprimento, conforme Toffoli, era de 24 horas a partir do dia 12 de janeiro, “diante da gravidade dos fatos e necessidade de aprofundamento da investigação, com fartos indícios de práticas criminosas de todos os envolvidos”.
Empenho
De acordo com Toffoli, “causa espécie” o fato de ter havido descumprimento do prazo das medidas cautelares ordenadas e a falta de empenho de cumprir a ordem porque a PF teve vários dias para preparar a operação. Tudo isso, destacou, “poderá resultar em prejuízo e ineficácia das providências ordenadas”. Ainda segundo o magistrado, a PF decidiu adotar novas providências urgentes apenas para a operação na noite passada.
“Observo, ainda, que eventual frustração do cumprimento das medidas requeridas decorre de inércia exclusiva da Polícia Federal, inclusive diante de inobservância expressa e deliberada de decisão por mim proferida na data de 12.01.2026, que determinou a deflagração da presente fase no prazo de 24 horas (e-doc. nº 56, assinado às 14:52 horas e juntado aos autos às 15:15 horas), e que eventual prejuízo às demais medidas em decorrência do presente pedido são de inteira responsabilidade da autoridade policial”, destacou o ministro do STF, no despacho.
Toffoli determinou que o chefe da PF explique a situação em até 24 horas. Procurada, a PF não respondeu de imediato sobre os questionamentos de Toffoli sobre a suposta demora em deflagrar a operação.
Repercussão
O ministro do STF ordenou ainda que todos os materiais e bens apreendidos na operação desta quarta-feira sejam lacrados e acautelados para serem diretamente encaminhados ao Supremo, sem detalhar no entanto onde o material será guardado. Geralmente a praxe é que documentos apreendidos em uma ação sejam levados para a PF e analisados pela própria corporação.
Após a repercussão das críticas, investigadores da PF reagiram às declarações do magistrado e negaram qualquer paralisação deliberada da operação. De acordo com fontes que acompanham de perto o inquérito, a corporação aguardava definições judiciais para avançar com a nova etapa das diligências.
— Ao contrário, passamos meses esperando essa operação — protestou um agente federal.