Rio de Janeiro, 25 de Agosto de 2026

Tensão cresce entre Chile e Argentina por rota estratégica

Fala de general argentino reabre tensões sobre soberania do Estreito de Magalhães, que conecta oceanos Atlântico e Pacífico pelo território chileno. Chile emite protesto diplomático formal.

Terça, 25 de Agosto de 2026 às 10:39, por: CdB

Fala de general argentino reabre tensões sobre soberania do Estreito de Magalhães, que conecta oceanos Atlântico e Pacífico pelo território chileno. Chile emite protesto diplomático formal.

Por Redação, com DW – de Buenos Aires, Santiago

O Chile e a Argentina passam por um mal-estar diplomático envolvendo o Estreito de Magalhães, uma via marítima navegável e estratégica na América do Sul. 

Estreito de Magalhães é uma via navegável de quase 600 quilômetros, que conecta oceanos Atlântico e Pacífico por águas calmas

O canal de cerca de 570 quilômetros, que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico por águas calmas, pertence ao Chile e se localiza integralmente dentro do seu território.

Mas, no domigo, o chefe do Estado-Maior Geral da Força Aérea Argentina, o brigadeiro-general Gustavo Javier Valverde, disse que o seu país deveria “manter presença” no estreito.

Citando o Estreito de Magalhães e a Passagem de Drake (que divide a Antártida da América do Sul), o militar afirmou, a um podcast veiculado na internet, que “tudo isso é soberania”. “É preciso fazer presença porque isso é uma chave bioceânica do Atlântico-Pacífico. Isso pode alertar você para um monte de coisas.”

A declaração foi lida, pela imprensa argentina e pela diplomacia chilena, como uma afirmação de posse sobre o estreito. A Passagem de Drake, por sua vez, tem áreas sob posse dos dois países, com a maior porção sendo de águas internacionais.

Em reação, o Chile disse que enviaria uma nota de protesto à Argentina. O chanceler Francisco Pérez Mackenna comentou o caso durante uma visita oficial ao Vietnã: “Reiteramos que a soberania do Chile sobre o Estreito de Magalhães em sua totalidade é indiscutível e se fundamenta nos Tratados de 1881 e 1984 assinados por ambos os países.”

Ele ainda instou “autoridades de outros países para que sejam responsáveis com suas declarações e não confundam seus cidadãos”.

Caso histórico

As palavras de Valverde geraram também críticas de parlamentares chilenos, que pressionaram por uma nota de protesto pela Chancelaria.

O ministro do Interior do Chile, Claudio Alvarado, também se pronunciou: “Chama nossa atenção que, de tempos em tempos, sejam feitas esse tipo de declarações, porque aqui não há nada a discutir em relação à soberania e a quem ela corresponde.”

Em abril, outro oficial militar já dissera que a “boca do (estreito) de Magalhães é Argentina”, referindo-se a águas que se conectam ao canal estratégico, destacou o jornal argentino Clarín.

O Tratado de Paz e Amizade de 1984 foi assinado pelos dois países após um crise bilateral de 1978, sob a mediação do Vaticano. O texto reafirmou o marco territorial do estreito e buscou estabelecer garantias para evitar novas controvérsias entre os dois países.

Mapeado em 1520 pelos portugueses, o canal leva o nome do explorador Fernão de Magalhães, que navegou pelo estreito em direção ao Oriente, que ele pensava ser o Ocidente. Antes da construção do Canal do Panamá em 1914, esta era uma rota de navegação crucial e, até hoje, é vista como um ativo em termos de logística e segurança.

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