Rio de Janeiro, 21 de Fevereiro de 2026

Teerã busca acordo nuclear após pressão de Donald Trump

O Irã busca alívio das sanções econômicas, enquanto os EUA exigem garantias sobre o programa nuclear. Entenda as negociações e tensões entre os países.

Sábado, 21 de Fevereiro de 2026 às 12:04, por: CdB

O Irã busca alívio das sanções econômicas, enquanto os EUA querem garantias de que o programa nuclear do país tenha fins pacíficos. 

Por Redação, com RFI – de Teerã

Teerã e Washington esperam obter um compromisso sobre o programa nuclear iraniano, apesar das trocas de ameaças militares entre os dois países. Na sexta-feira, o chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, disse esperar um acordo “rápido” com os Estados Unidos, após uma nova rodada de negociações indiretas realizada em Genebra na última terça.

Teerã busca acordo nuclear após pressão de Donald Trump | Abbas Araghchi, chanceler do Irã, em Genebra, onde ocorreu a a segunda rodada de negociações com os EUA sobre o programa nuclear iraniano, na terça-feira
Abbas Araghchi, chanceler do Irã, em Genebra, onde ocorreu a a segunda rodada de negociações com os EUA sobre o programa nuclear iraniano, na terça-feira

O Irã busca alívio das sanções econômicas, enquanto os EUA querem garantias de que o programa nuclear do país tenha fins pacíficos. Os norte-americanos suspeitam que o objetivo do Irã seja obter a bomba atômica, mas a questão do enriquecimento de urânio não foi discutida durante as conversas em Genebra, afirmou o chanceler iraniano nesta sexta.

O material radioativo enriquecido entre 3% e 5% é usado em usinas nucleares para gerar eletricidade. Enriquecido até 20%, pode ter aplicações médicas e, acima disso, o urânio em alto teor pode ser utilizado em projetos militares. O presidente americano, Donald Trump, disse que dará um prazo de dez a quinze dias para decidir se um compromisso com o Irã é possível. 

O ministro das Relações Exteriores iraniano afirmou que o país prepara uma proposta de acordo sobre a questão nuclear. “Ela estará pronta em poucos dias e poderemos iniciar negociações sérias com os americanos para chegar a um acordo”, declarou. 

Segundo ele, uma solução rápida não significa ceder à pressão norte-americana. “Isso é do interesse de ambas as partes”, disse. Abbas Araghchi afirmou ainda que “quanto antes as sanções forem suspensas, melhor será para o Irã”. Em contrapartida, o país apresentou uma série de projetos nos setores de petróleo, gás e mineração, além da compra de aviões da Boeing, na tentativa de flexibilizar a postura do governo americano. 

O chanceler iraniano também fez um alerta. “Estamos prontos para a diplomacia, mas também para a guerra”. Nos últimos dias, as forças navais da Guarda Revolucionária fecharam o Estreito de Ormuz por cinco horas. A passagem é estratégica: por ela transita 20% do petróleo mundial. O Irã também reiterou ameaças contra bases americanas no Oriente Médio em caso de ataque, em carta enviada ao secretário-geral da ONU. 

‘Ataque limitado’ 

Na sexta-feira, Trump disse a repórteres que considera um ataque militar limitado contra o país, mas não deu detalhes. O Wall Street Journal já havia citado essa possibilidade, que serviria para pressionar o Irã a encerrar seu programa nuclear. 

A presença das forças norte-americanas no Oriente Médio aumentou nas últimas semanas. Imagens de satélite mostram que o porta-aviões USS Abraham Lincoln já está próximo do Irã e houve aumento no número de destróieres, navios de combate e caças norte-americanos na região. O USS Gerald R. Ford, maior navio de guerra do mundo, deve chegar à área nas próximas três semanas. 

Desde a invasão do Iraque, em 2003, segundo vários especialistas, a presença militar norte-americana na região não chegava a tal nível  — com a diferença de que, atualmente, Washington privilegia forças aéreas e navais e não parece mobilizar tropas terrestres significativas, observa Seth Jones, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, em declaração à agência norte-americana de notícias Associated Press (AP)

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