Rio de Janeiro, 15 de Agosto de 2026

Talebã endurece o regime após cinco anos desde a volta ao poder

Pouco mais da metade das mulheres afegãs (52%) agora sai de casa apenas uma ou duas vezes por mês, apontaram dados divulgados nesta semana pela ONU Mulheres.

Sábado, 15 de Agosto de 2026 às 12:39, por: CdB

Pouco mais da metade das mulheres afegãs (52%) agora sai de casa apenas uma ou duas vezes por mês, apontaram dados divulgados nesta semana pela ONU Mulheres.

Por Redação, com DW – de Cabul

Nos cinco anos desde o retorno do Talebã ao poder, que se completam neste sábado, o aniversário da queda de Cabul, o Afeganistão assistiu ao arrefecimento dos conflitos armados e à estabilização do contexto de segurança. Mas as restrições impostas a mulheres e meninas, somadas às preocupações ligadas ao terrorismo, comprometem as perspectivas de longo prazo no país, na avaliação da Organização das Nações Unidas (ONU).

Afeganistão
As mulheres sofrem todo tipo de abuso sob o regime do Talebã, no Afeganistão

Pouco mais da metade das mulheres afegãs (52%) agora sai de casa apenas uma ou duas vezes por mês, apontaram dados divulgados nesta semana pela ONU Mulheres. Elas vivem no único país a proibir meninas de frequentar o ensino médio e mulheres de irem às universidades. Em contraste, 96% dos homens disseram deixar suas residências diariamente.

“Meia década após a tomada do poder pelo Talibã, em agosto de 2021, o Afeganistão desmontou sistematicamente os direitos de metade de sua população, tornando-se um caso isolado no mundo, sem paralelo na era moderna,” afirmou, em comunicado, a agência dedicada à promoção da igualdade de gênero.

 

Alianças

Segundo a Missão de Assistência da ONU no Afeganistão (Unama), as restrições geram custos sociais e econômicos, sendo um dos principais obstáculos para a ampliação das relações internacionais do governo afegão e a atração de investimentos. Isso apesar de a redução dos conflitos ter aberto oportunidades de recuperação econômica e de costura de alianças regionais.

“A paz e a prosperidade sustentáveis exigem mais do que a ausência de conflito”, afirmou em comunicado Georgette Gagnon, representante especial adjunta da ONU para o Afeganistão e chefe interina da Unama. As limitações ao espaço cívico e à liberdade de expressão também reduzem a capacidade do país de se beneficiar da cooperação internacional, de acordo com a Unama.

O Afeganistão continua politicamente fechado, sem eleições nem Parlamento eleito, outro ponto sensível para a comunidade internacional. As principais decisões se concentram em torno do líder supremo talibã, Hibatullah Akhundzada. Não há oposição com capacidades para disputar o poder, enquanto os meios de comunicação trabalham sob fortes restrições.

 

Exclusão

Desde que voltou ao poder em agosto de 2021, o Talebã impediu cerca de 2,4 milhões de afegãs de frequentar o ensino médio, reportou nesta semana a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

As autoridades emitiram mais de 100 decretos voltados contra mulheres e meninas desde que assumiram o poder, institucionalizando a discriminação e aprofundando o que a ONU Mulheres classifica como a mais grave crise de direitos das mulheres no mundo.

Medidas adotadas neste ano aboliram a igualdade jurídica entre homens e mulheres perante a lei, reforçaram a autoridade masculina dentro do casamento e dificultaram o acesso das mulheres ao divórcio. O Talebã sustenta que respeita os direitos das mulheres de acordo com sua interpretação da lei islâmica e da cultura afegã.

As mulheres também seguem amplamente excluídas da economia. Apenas 7% delas estão empregadas, em comparação com 84% dos homens, ainda segundo a ONU Mulheres.

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