Rio de Janeiro, 21 de Agosto de 2026

Seca do El Niño restringe tráfego no Canal do Panamá

Menos navios poderão atravessar via marítima que liga o Atlântico ao Pacífico a partir de setembro. Motivo é falta de chuvas, que deve se agravar com intensificação do fenômeno climático.

Sexta, 21 de Agosto de 2026 às 14:05, por: CdB

Menos navios poderão atravessar via marítima que liga o Atlântico ao Pacífico a partir de setembro. Motivo é falta de chuvas, que deve se agravar com intensificação do fenômeno climático.

Por Redação, com DW – da Cidade do Panamá

O Canal do Panamá reduzirá o número de navios que passam por ele a partir de setembro devido à falta de chuvas, à medida que o fenômeno climático El Niño se estabelece na região, informou a administradora do canal na quinta-feira. 

O Canal do Panamá depende de um sistema de eclusas preenchidas com água que eleva e abaixa os navios para permitir sua passagem

A partir de 3 de setembro, a hidrovia permitirá a passagem de 34 navios por dia, em vez dos atuais 36. De 15 de setembro em diante, o número de embarcações autorizadas a atravessar o canal cairá para 32 por dia.

Uma das vias navegáveis mais importantes do mundo, o Canal do Panamá está localizado no país da América Central de mesmo nome. Ele conecta os oceanos Atlântico e Pacífico e dá vazão a cerca de 5% do comércio marítimo global. Os navios que o utilizam encurtam suas viagens em milhares de quilômetros, evitando a perigosa rota ao redor do extremo sul da Argentina. 

O fato de o Panamá estar enfrentando uma seca severa, apesar de ser um dos países mais chuvosos do planeta, é um sinal de que o El Niño se formou em um Oceano Pacífico Equatorial mais aquecido. 

Segundo a operadora do canal, as chuvas entre maio e agosto ficaram cerca de 34% abaixo da média histórica para esse período. 

O que é o El Niño? 

O El Niño é caracterizado por temperaturas anormalmente altas na superfície do oceano nas regiões central e leste do Pacífico, provocando efeitos indiretos como secas, enchentes e incêndios florestais. 

Cientistas afirmam que essas mudanças nos ventos e nas temperaturas oceânicas provavelmente intensificarão eventos climáticos extremos, devido ao fato de o planeta já estar mais quente por causa da poluição gerada pelos combustíveis fósseis. 

A expectativa é de que o El Niño se torne tão intenso no final do inverno e início da primavera no Hemisfério Sul que ele seja um dos maiores eventos já registrados desde 1950.

Secas  

O Canal do Panamá, com cerca de 80 quilômetros de extensão, foi fortemente afetado por uma seca severa entre 2023 e 2024, quando a administração do canal reduziu drasticamente o número de travessias de navios. 

Em 2023, o nível da água dos lagos que abastecem o canal estava tão baixo que os operadores reduziram o número diário de passagens de embarcações de 38 para 22. 

A autoridade do canal já implementou medidas de conservação de água, mas ressaltou a necessidade de adotar estratégias que reforcem a sustentabilidade de longo prazo da rota marítima.

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