Rio de Janeiro, 30 de Setembro de 2026

Crianças ficam mais vulneráveis ao El Niño, alerta Unicef

O Unicef alerta que o fenômeno El Niño, agravado pelas mudanças climáticas, coloca 25,8 milhões de crianças em risco na América Latina devido a secas e chuvas intensas.

Quarta, 30 de Setembro de 2026 às 10:51, por: CdB

O Unicef alerta que o fenômeno El Niño, agravado pelas mudanças climáticas, coloca 25,8 milhões de crianças em risco na América Latina devido a secas e chuvas intensas.

Por Redação, com RFI – de Nova York

Milhões de crianças estão expostas a riscos decorrentes do fenômeno El Niño na América Latina, onde seus efeitos podem ampliar desigualdades e dificultar o acesso a serviços básicos, alertou o Unicef nesta quarta-feira. O documento destaca que o fenômeno deve atingir forte intensidade entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, segundo previsões citadas do NOAA, a agência meteorológica dos Estados Unidos.

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O El Niño pode se tornar um dos mais intensos já registrados e intensifica os impactos das mudanças climáticas associadas à atividade humana. Os efeitos mais severos são esperados entre outubro e dezembro. Segundo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), 25,8 milhões de crianças na região enfrentam riscos crescentes em razão de secas e chuvas intensas relacionadas ao fenômeno. 

O documento também detalha áreas menos mencionadas nos alertas iniciais. Na Amazônia, a redução do nível dos rios pode isolar comunidades ribeirinhas e indígenas, dificultando o acesso a alimentos, atendimento médico e educação. Em partes da Bolívia, Colômbia, Chile e Venezuela, a queda dos níveis dos reservatórios aumenta o risco de incêndios florestais e pressiona os sistemas de abastecimento de água. 

Os efeitos são cada vez mais visíveis e graves e ameaçam empurrar crianças para situações de maior vulnerabilidade, além de aprofundar desigualdades, afirmou Roberto Benes, diretor regional do Unicef para a América Latina e o Caribe, em comunicado. Na Guatemala, em El Salvador, Honduras e Nicarágua, a seca deve afetar a produção agrícola, aumentando a insegurança alimentar e o risco de desnutrição entre crianças que já enfrentam dificuldades de acesso a alimentos e água. 

Riscos

Já na costa do Pacífico do México e da América do Sul, o aumento das chuvas deve elevar o risco de inundações e causar danos a escolas e unidades de saúde. De acordo com Benes, a temporada de furacões também está sendo influenciada pelo fenômeno. Uma única tempestade de grande magnitude pode provocar destruição generalizada e afetar a vida de centenas de milhares de crianças, disse. 

O representante da organização defendeu o reforço das medidas de preparação, a proteção dos serviços essenciais e a garantia de apoio às crianças afetadas. O Unicef informou ter solicitado US$ 53,8 milhões (cerca de R$ 279 milhões) para responder às emergências provocadas pelo El Niño na América Latina. Até 30 de junho, porém, havia arrecadado apenas metade desse valor. 

Para enfrentar esses impactos, o Unicef afirma que já trabalha com governos e parceiros humanitários em ações de preparação, incluindo monitoramento de riscos, atualização de planos de contingência, pré-posicionamento de suprimentos e fortalecimento de sistemas de alerta. A organização identificou 11 países prioritários para a resposta e pede financiamento antecipado para garantir a continuidade de serviços essenciais antes da chegada dos efeitos mais severos do fenômeno. 

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