Potências não têm mais nenhum tratado que limite arsenais nucleares.
Por Redação, com ANSA – de Moscou, Washington
O governo da Rússia lamentou nesta quinta-feira o fim do prazo de validade do último tratado com os Estados Unidos que limitava o arsenal nuclear das duas potências, o New Start, que estava em vigor desde fevereiro de 2011.

– A Federação Russa manterá sua abordagem responsável e atenta em relação ao tema da estabilidade estratégica no campo de armas nucleares – disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, acrescentando, no entanto, que Moscou agirá de acordo “principalmente com seus interesses nacionais”.
Ainda segundo Peskov, Washington não respondeu a uma proposta do presidente Vladimir Putin de estender o tratado por pelo menos um ano. O New Start limitava o arsenal nuclear de EUA e Rússia a 1.550 ogivas estratégicas (capazes de destruir cidades inteiras) e 800 sistemas de lançamento cada.
Essa é a primeira vez desde a Guerra Fria que as duas potências não têm nenhum tratado bilateral que restrinja seus arsenais de armas atômicas. Estima-se que Estados Unidos e Rússia, tenham, cada um, mais de 5 mil ogivas nucleares, porém o número inclui aquelas “táticas”, ou seja, com alcance limitado.
O presidente Donald Trump chegou a manifestar a intenção de negociar um novo tratado, porém incluindo a China, que vem expandindo seu arsenal nuclear rapidamente e conta com cerca de 600 ogivas, ainda distante de Moscou e Washington.
Alertas
O fim do New Start motivou alertas de lideranças internacionais. “Esse desmantelamento de décadas de progressos não poderia chegar em um momento pior. O risco de um uso nuclear está no nível mais alto em décadas”, declarou o secretário-geral da ONU, António Guterres, que exortou EUA e Rússia a retomar as negociações imediatamente.
– Pela primeira vez em mais de meio século, nos encontramos diante de um mundo sem limites para os arsenais nucleares estratégicos da Federação Russa e dos Estados Unidos da América – lamentou o português.
Já na quarta, o papa Leão XIV lançou um “apelo urgente” para que Washington e Moscou não renunciem a um instrumento que “representou um passo significativo para conter a proliferação de armas nucleares”. “A situação atual exige que se faça tudo o que for possível para impedir uma nova corrida aos armamentos, que ameaça ainda mais a paz entre as nações”, disse.