Rio de Janeiro, 04 de Agosto de 2026

Republicanos consolida isolamento de Flávio Bolsonaro

Presidente do partido, o deputado Marcos Pereira (SP) consultou 17 diretórios estaduais que preferiram a neutralidade, enquanto nove aceitariam a aliança nacional com o PL.

Terça, 04 de Agosto de 2026 às 20:13, por: CdB

Presidente do partido, o deputado Marcos Pereira (SP) consultou 17 diretórios estaduais que preferiram a neutralidade, enquanto nove aceitariam a aliança nacional com o PL.

Por Redação – de Brasília

O Partido Republicanos consolidou, nesta terça-feira, o isolamento do candidato da extrema direita Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador conhecido também pelo apelido de filho ’01’, na convenção nacional. Por maioria absoluta, a legenda rejeitou a coligação proposta na eleição presidencial.

hugo motta
Presidente da Câmara, o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) foi decisivo na escolha pela neutralidade

Presidente do partido, o deputado Marcos Pereira (SP) consultou 17 diretórios estaduais que preferiram a neutralidade, enquanto nove aceitariam a aliança nacional com o PL. Um deles preferiu apoiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

 

Executiva

Na Mesa Diretora da convenção, o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), foi reconhecido como um dos principais incentivadores da neutralidade do partido. Motta já adiantou que pretende fazer campanha para Lula, na Paraíba.

A Convenção reuniu, ainda, os senadores Hamilton Mourão (RS) e Damares Alves (DF), embora nenhum deles tenha se manifestado a favor ou contra a neutralidade. Mourão foi vice do ex-presidente Jair Bolsonaro, e Alves, ministra no mesmo governo, mas ambos se afastaram do núcleo bolsonarista.

A reunião aprovou ainda, formalmente, a decisão de o partido não lançar candidatura à Presidência e delegou poder à executiva para tomar futuras decisões. Ou seja, a cúpula do partido poderá tomar uma nova posição no caso de um eventual segundo turno.

 

Oposição

Após o encontro, Pereira afirmou que vai colaborar a nível pessoal com a campanha do PL.

— Totalmente, a minha fala em São Paulo, pela manhã do sábado na nossa convenção (estadual), não deixa dúvidas (do apoio a Flávio Bolsonaro em São Paulo) — afirmou o presidente do Republicanos, em resposta a jornalistas.

Mas, segundo o parlamentar, enquanto dirigente partidário ele separa sua preferência política individual da posição da legenda.

— Eu não posso impor a minha vontade ou meu voto, a minha posição. A posição do meu Estado, São Paulo, era pelo apoio a Flávio Bolsonaro — acrescentou.

 

Sem vice

Para o deputado Celso Russomanno (SP), um dos expoentes da legenda, a decisão pela neutralidade ocorreu porque é importante manter a unidade do partido. O temor era que uma decisão de apoio a ’01′ atrapalhasse a eleição de deputados, no Nordeste, caso fosse determinado o apoio ao candidato bolsonarista.

A decisão, portanto, amplia o isolamento de Flávio Bolsonaro, que apostava no Republicanos para ter a economista Daniella Marques, filiada ao partido, como sua vice. Agora, restou ao PL recorrer a uma opção interna, formando uma chapa ‘pura sangue’ para a disputa eleitoral, com menos tempo de exposição na propaganda eleitoral gratuita.

— Eu não posso falar qual é a melhor saída para ele. Eu sou defensor de que o vice, quem escolhe é o candidato. Ele vai conseguir (uma vice) dentro do PL, se ele não conseguir um outro partido para que possa oferecer a vice — resumiu Pereira.

 

No Rio de Janeiro

A situação de ’01’ ficou ainda mais complicada com a decisão, nesta manhã, de o União Brasil (UB) abandonar a coligação com o PL, no Rio de Janeiro — reduto eleitoral do bolsonarismo —, após optar pela neutralidade na eleição estadual. Em Minas Gerais, o PL também perdeu a candidatura do senador Cleitinho (Republicanos) ao governo.

A ruptura com o PL foi definida pela desistência do ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (UB) de concorrer ao Senado. O parlamentar foi alvo de uma operação contra lavagem de dinheiro em postos de gasolina e preso em flagrante após agentes acharem um fuzil no seu carro. Ele tentará a reeleição para Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

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