Rio de Janeiro, 29 de Abril de 2026

Relatório aponta queda na perda de florestas tropicais em 2025

Relatório revela queda de 36% na perda de florestas tropicais em 2025, destacando os esforços do Brasil e as políticas ambientais eficazes.

Quarta, 29 de Abril de 2026 às 11:17, por: CdB

O mundo perdeu 4,3 milhões de hectares de floresta tropical intocada no ano passado, uma queda ⁠de 36% em comparação com 2024.

Por Redação, com Reuters – de Brasília

A destruição das florestas tropicais ‌do mundo diminuiu em 2025 em relação a um recorde, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira, ressaltando como uma política decisiva pode ajudar a manter as árvores em pé, apesar das pressões de um clima mais quente e da expansão das fronteiras agrícolas.

Relatório aponta queda na perda de florestas tropicais em 2025 | Desmatamento tropical recua em 2025 após nível recorde
Desmatamento tropical recua em 2025 após nível recorde

O mundo perdeu 4,3 milhões de hectares de floresta tropical intocada no ano passado, uma queda ⁠de 36% em comparação com 2024, devido em grande parte aos esforços do Brasil ‌para conter o desmatamento, conforme prometido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva quando assumiu o cargo em 2023.

– É encorajador, quando o problema parece enorme, que haja intervenções ‌reais que funcionam e podemos ver isso nos ‌dados – afirmou Elizabeth Goldman, codiretora do Global Forest Watch, que divulga um relatório ⁠anual preparado pelo World Resources Institute e pela Universidade de Maryland.

Ainda assim, disse Goldman, os países estão desmatando 70% a mais do que deveriam para cumprir o compromisso global assinado por quase todos os países em 2023 de interromper e reverter a perda de florestas até 2030.

– Atingir essa meta nos próximos anos não será fácil – declarou ela.

A ‌expansão agrícola continuou a ser o maior fator de perda de florestas no mundo, impulsionada ‌por commodities agrícolas em países ⁠como Brasil, Bolívia ⁠e Indonésia, e pela agricultura de subsistência em lugares como a República Democrática do Congo.

Política de longa ⁠data segue limitando a perda de florestas ‌primárias na Malásia e na ‌Indonésia, onde as plantações de óleo de palma historicamente pressionaram os biomas.

Mas a iniciativa do presidente Prabowo Subianto de expandir um programa de propriedade de alimentos, que visa tornar o país autossuficiente na produção de alimentos, contribuiu para o aumento ⁠do desmatamento na Indonésia no ano passado.

Grupos ambientalistas alertaram que o fim de um acordo de todo o setor para impedir a compra de soja de fazendas recentemente desmatadas na floresta amazônica este ano terá um impacto semelhante no Brasil nos próximos anos.

Norte em risco

A perda global ‌de florestas, incluindo ecossistemas fora dos trópicos, caiu 14% no ano passado. Mas as evidências de que a mudança climática está aumentando a pressão sobre as árvores ⁠do mundo continuaram a se acumular.

A tendência é mais visível no Canadá, que teve a segunda pior temporada de incêndios já registrada no ano passado.

A quantidade de floresta boreal queimada nos últimos três anos foi cerca de cinco vezes maior do que a média registrada nos últimos 20 anos. Nos trópicos, onde a ignição do fogo é geralmente humana, as folhas mais secas continuaram a transformar o que antes eram pequenas queimadas em incêndios de grandes proporções.

Rod Taylor, diretor global de florestas do WRI, disse que, embora as florestas continuem a ser poderosos sumidouros de carbono, ajudando a desacelerar a mudança climática, os incêndios e as secas em um planeta em aquecimento estão transformando cada vez mais esses ecossistemas em fontes de emissão de gases de efeito estufa.

– Estamos em uma espécie de fio da navalha – acrescentou.

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