Rio de Janeiro, 04 de Fevereiro de 2026

Quase quatro em cada 10 casos de câncer são evitáveis, diz OMS

Estudo da OMS revela que 7,1 milhões de casos de câncer em 2022 foram provocados por fatores de risco modificáveis. Descubra como evitar a doença.

Quarta, 04 de Fevereiro de 2026 às 12:29, por: CdB

Levantamento sugere que mais de 7 milhões de casos da doença em 2022 eram evitáveis, o que significa que pelo menos 38% foram provocados pelos chamados fatores de risco modificáveis.

Por Redação, com DW – de Genebra

A afirmação de Isabelle Soerjomataram, especialista em monitoramento do câncer da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), é contundente: “Agora temos as informações necessárias para evitar o câncer antes que ele se desenvolva“.

Quase quatro em cada 10 casos de câncer são evitáveis, diz OMS | Poluição é um dos fatores considerados de risco que afeta o organismo e pode acelerar o densevolvimento de câncer
Poluição é um dos fatores considerados de risco que afeta o organismo e pode acelerar o densevolvimento de câncer

Em declarações à imprensa na semana passada, Soerjomataram e seu colega Andre Ilbawi apresentaram os resultados de um estudo envolvendo 36 tipos de câncer em 185 países. As análises foram publicadas na revista científica Nature Medicine na terça-feira.

A pesquisa começa com uma estatística tão impressionante quanto a afirmação inicial de Soerjomataram: 7,1 milhões de novos casos de câncer foram associados a fatores de risco modificáveis (FRM) – a exemplo do consumo de tabaco e álcool, bem como infecções. O número representa 37,8% do total de 18,7 milhões de novos casos de câncer registrados em 2022.

A pesquisa sobre os FRM não é nova, já que, há tempos, sabe-se que outros aspectos, como o excesso de peso, a obesidade, a poluição e outras toxinas podem ser cancerígenos. E a alegação de que é possível “evitar o câncer antes que ele apareça” depende também de variados fatores, como a falta de acesso a atendimento médico e a recursos de saúde – o que não é uma garantia em diversas partes do mundo.

Mas detalhes desse mais recente estudo provêm de algumas informações sobre os efeitos dos FRM, que podem variar de acordo com a região e o sexo.

Os autores consideraram 30 fatores de risco, incluindo os supracitados tabaco, álcool e poluição do ar, além da exposição a toxinas como o amianto. Outros aspectos são o índice de massa corporal (IMC) elevado, falta de atividade física, mascar tabaco e noz de areca, algumas práticas de amamentação, e a exposição à radiação ultravioleta.

IA

E, pela primeira vez em um estudo envolvendo FRM, os pesquisadores também incluíram agentes infecciosos como cancerígenos, como hepatite B e papilomavírus humano (HPV).

HPV

Em todo o mundo, o HPV é responsável pela maior parcela de cânceres evitáveis em mulheres. Apesar da disponibilidade de vacinas que se mostraram altamente eficazes na proteção contra o câncer cervical, “a hesitação em relação à vacinação é muito grande”, afirma Ilbawi.

– Em países mais ricos, a exemplo da Austrália, o câncer cervical está praticamente erradicado, com uma incidência atual de 5 casos para 100 mil pessoas. Mas quando analisamos a questão na América Latina ou na África Subsaariana, os problemas continuam. O câncer relacionado ao HPV, especialmente o câncer cervical, ainda é muito alto nessas regiões – lembra Soerjomataram.

Descobertas

A inclusão de agentes infecciosos no estudo revelou novas informações sobre cânceres em mulheres – e também variações em relação aos homens. Os pesquisadores afirmam que esperam que isso ajude a melhorar as medidas de prevenção da doença.

A pesquisa concluiu que as infecções causaram o maior número de cânceres evitáveis entre as mulheres, com um total de 2,7 milhões de casos (29,7%). Entre os homens, foram justamente os FRM, como o tabagismo: 4,3 milhões de casos (45,4%).

Ao analisar detalhadamente os dados sobre câncer de pulmão, que é um dos tipos mais diagnosticados tanto em mulheres quanto em homens (junto com câncer de mama, colorretal e de próstata), descobriu-se que o peso dos FRM é semelhante, mas o efeito é diferente.

Em ambos os sexos, o tabaco, a poluição e a exposição profissional a toxinas foram atribuídos em proporções quase iguais. Os números, entretanto, variam bastante: enquanto houve 1.326.453 casos de câncer de pulmão entre homens, entre as mulheres foram registrados 477.869 casos.

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Intervenções

Com o Observatório Global do Câncer prevendo um aumento de mais de 50% nos casos de câncer até 2045, os pesquisadores escreveram em seu artigo que “essa carga crescente ressalta a necessidade urgente de estratégias de prevenção eficazes”, argumentando que “muitos casos poderiam ser evitados por meio de intervenções orientadas”.

Pouco se fala no estudo sobre os 62,2% dos casos de câncer que não puderam ser atribuídos a FRM.

Mas Suzette Delaloge, especialista em câncer de mama e prevenção do câncer no hospital de pesquisa francês Gustave Roussy, afirma que o estudo representou “uma contribuição fundamental para a definição de uma abordagem global e baseada em dados para a prevenção do câncer”.

Delaloge, que não participou da pesquisa, diz que, embora o estudo tenha destacado como os cânceres são “amplamente moldados por determinantes geográficas, sociais, econômicas e culturais, […] ações individuais continuam sendo essenciais para mitigar seus efeitos profundos”.

Os próprios pesquisadores afirmaram que as futuras medidas de prevenção contra o câncer terão que abordar cada vez mais diferentes efeitos em mulheres e homens, bem como responder aos distintos contextos sociais e econômicos entre países e regiões.

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