Rio de Janeiro, 28 de Agosto de 2026

Proibição do asfalto em tempos de emergência climática

Por Alexandre Lucas – A impermeabilização do solo e a formação de ilhas de calor reforçam a necessidade de repensar a pavimentação urbana diante da crise climática.

Sexta, 28 de Agosto de 2026 às 09:13, por: CdB

A impermeabilização do solo e a formação de ilhas de calor reforçam a necessidade de repensar a pavimentação urbana diante da crise climática.

Por Alexandre Lucas – de São Paulo

A política do asfalto ainda é usada como moeda eleitoral. A lógica do falso desenvolvimento continua sendo vendida pelos veículos institucionais de comunicação, o que evidencia seu poder de manipulação e de ocultamento da verdade. É comum que, em períodos eleitorais, a pavimentação asfáltica sirva como maquiagem para convencer a população. Existe uma ideia consolidada de que o povo quer asfalto, afinal, é antiga a associação entre esse tipo de pavimentação ligada  ao desenvolvimento e modernidade.

A política do asfalto ainda é usada como moeda eleitoral

Vale ressaltar, porém, que nem toda vontade popular é justa, pois ela pode carregar traços de desinformação e alienação. No caso do asfalto, o povo se torna o “peru da Sadia”, ou seja, festeja a própria destruição.

É preciso questionar o discurso único, sobretudo quando orquestrado pelos veículos oficiais (institucionais). Até que ponto esse tipo de comunicação é legítimo, tendo em vista seu caráter de mascaramento e manipulação da verdade, que esconde os impactos ambientais e os prejuízos à infraestrutura urbana?

O argumento de que “o povo quer” não deve ser aplicado quando há efeitos nocivos à sociedade. O norte das políticas públicas deve ter como bússola a ciência, o planejamento e a qualidade de vida da população, com redução dos impactos ambientais.

Há uma relação entre asfalto, imediatismo e mercado que precisa ser combatida por outra lógica de urbanização, que valorize a promoção da saúde, a infraestrutura urbana e a minimização dos danos ambientais.

Caminhamos para um aumento global da temperatura. Atividades humanas como queima de combustíveis, poluição e desmatamento têm elevado a temperatura, em consequência dos gases do efeito estufa. O asfalto agrava esse problema: ele retém o calor do sol, elevando a temperatura das cidades e criando o fenômeno conhecido como ilha de calor urbana.

O solo

Além de impermeabilizar o solo,  o que impede a penetração da água e o resfriamento do ar por evaporação, o asfalto aumenta o consumo de energia com o uso de ar-condicionado e ventiladores. A escassez energética é mais um desafio contemporâneo. A própria origem do asfalto é preocupante, por ser derivado do petróleo, um dos principais poluentes mundiais.

O aquecimento global causa riscos imediatos e graves à Terra. A chamada emergência climática é um fenômeno real, acelerado a cada ano, e coloca a comunidade científica mundial em estado de alerta.

Combater o asfalto é uma necessidade para o desenvolvimento sustentável. Reafirmar que asfalto não é desenvolvimento significa desconstruir a narrativa predatória do capital e do eleitoreira. Não se trata de gosto ou estética, mas de uma questão de defesa do planeta, ainda que, mesmo sendo óbvio,  se vende  a ideia de que não estamos dentro dele.

Atualmente, o planejamento urbano exige conexão direta com a problemática climática global. Outras formas de pavimentação são possíveis e devem levar em conta a drenagem urbana, a permeabilização do solo e a redução do aumento da temperatura, gerando efeitos positivos na diminuição dos impactos ambientais e na melhoria da qualidade de vida.

 

Alexandre Lucas, é pedagogo e integrante do Coletivo Camaradas.

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil

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