Rio de Janeiro, 26 de Janeiro de 2026

França debate proibição de redes sociais para menores de 15

A França discute a proibição do uso de redes sociais por menores de 15 anos, visando proteger a saúde mental dos adolescentes. Entenda os riscos e as opiniões sobre a medida.

Segunda, 26 de Janeiro de 2026 às 11:04, por: CdB

As redes sociais como Instagram, TikTok ou X estão prejudicando seriamente a saúde mental dos adolescentes, alertou a Agência Francesa de Segurança Alimentar, Ambiental e Ocupacional.

Por Redação, com RFI – de Paris

Os deputados franceses votarão em primeira instância, nesta segunda-feira, a proibição do uso das redes sociais por menores de 15 anos e o banimento dos celulares das escolas de ensino médio. As medidas, que visam proteger a saúde dos adolescentes, contam com forte apoio do governo francês e do presidente Emmanuel Macron, mas não representam um consenso.

França debate proibição de redes sociais para menores de 15 | O presidente francês, Emmanuel Macron, solicitou ao governo que garanta a entrada em vigor da proibição das redes sociais para menores de 15 anos
O presidente francês, Emmanuel Macron, solicitou ao governo que garanta a entrada em vigor da proibição das redes sociais para menores de 15 anos

As redes sociais como Instagram, TikTok ou X estão prejudicando seriamente a saúde mental dos adolescentes, alertou a Agência Francesa de Segurança Alimentar, Ambiental e Ocupacional (ANSES), no início do mês. Os riscos listados são numerosos, incluindo cyberbullying, comparação constante com os outros e exposição a conteúdo violento. Também são destacados os sistemas que prendem a atenção e perturbam o sono.

O assunto é destaque na imprensa francesa. O jornal La Croix publica a experiência do coletivo Algos, formado por pais que entraram na Justiça com processos judiciais contra a plataforma TikTok, a qual acusam de “incentivar a anorexia, depressão e mesmo suicídio de adolescentes”. Eles se dizem impotentes contra o poder dos algoritmos e contam com a legislação para os apoiar.

Algumas organizações de pais e de estudantes, no entanto, consideram a proibição do uso de redes sociais pelos adolescentes como “uma resposta muito simples para um problema complexo”. Eles defendem a educação para o mundo digital, reforçando o papel dos pais nessa discussão. Além disso, questionam a aplicação de uma proibição total, já que os menores poderiam sempre recorrer ao uso de VPN (rede privada virtual) para contornar a restrição.

Alerta

O jornal Libération ouviu especialistas no assunto. Alguns alertam que a interdição total pode ser entendida pelos adolescentes como falta de confiança em sua capacidade de discernimento e que não trata das causas estruturais. Defendem que não há dados científicos sobre a eficácia de tal medida, enquanto trazer os menores para a discussão poderia ser mais eficiente.

Outros defendem que é preciso agir com todas as armas contra um inimigo capaz de promover o sedentarismo e inúmeros problemas de saúde às crianças francesas, incluindo doenças do sono, problemas psicológicos e mesmo a miopia, em nome de um modelo de negócios lucrativo para as plataformas digitais.

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