Rio de Janeiro, 10 de Fevereiro de 2026

Pressão da gasolina e alívio na conta de luz moldam atual IPCA

A inflação oficial do Brasil em janeiro foi de 0,33%, refletindo o aumento da gasolina e a queda na conta de luz. Descubra os impactos e previsões para o IPCA.

Terça, 10 de Fevereiro de 2026 às 19:55, por: CdB

O novo resultado ficou levemente acima da mediana das projeções do mercado financeiro, que era de 0,32%, segundo a agência norte-americana de notícias Bloomberg. O intervalo das estimativas ia de 0,26% a 0,40%.

Por Redação, com Bloomberg – do Rio de Janeiro

A inflação oficial do Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi de 0,33% em janeiro, repetindo a taxa registrada em dezembro, apontam dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Enquanto o preço da gasolina subia, houve um alívio consistente da conta de luz.

Pressão da gasolina e alívio na conta de luz moldam atual IPCA | Os consumidores pagaram menos pela conta de luz, em janeiro
Os consumidores pagaram menos pela conta de luz, em janeiro

O novo resultado ficou levemente acima da mediana das projeções do mercado financeiro, que era de 0,32%, segundo a agência norte-americana de notícias Bloomberg. O intervalo das estimativas ia de 0,26% a 0,40%.

Com o dado de janeiro, o IPCA acelerou a 4,44% no acumulado de 12 meses, acima da variação de 4,26% até dezembro, disse o IBGE. O índice, porém, continua abaixo do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo Banco Central (BC).

 

Acumulado

A aceleração em 12 meses está associada ao que economistas costumam chamar de troca de taxas. Em janeiro de 2025, o IPCA havia registrado a menor variação para o primeiro mês do ano no Plano Real (0,16%). À época, o índice teve impacto atípico do bônus de Itaipu, que entrou em vigor com atraso, reduzindo a conta de luz na ocasião.

Como o IPCA foi maior em janeiro de 2026 (0,33%), o acumulado também ganhou força. Segundo Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa do IBGE, o avanço de 0,33% não tem “nada de extraordinário” para o primeiro mês do ano. O técnico lembrou, por exemplo, que o IPCA havia subido mais em janeiro de 2024 (0,42%). Gonçalves acrescenta que o índice de 0,33% é resultado de uma “queda de braço” entre componentes.

A gasolina, no período, subiu 2,06% em janeiro deste ano. Com isso, gerou um impacto de 0,10 ponto percentual no IPCA, o maior em termos individuais, seguido pela pressão da tarifa de ônibus urbano (0,06 pp), que avançou 5,14%.

 

Impactos

Já a energia elétrica residencial, por sua vez, teve redução nos preços em janeiro (-2,73%). Assim, a conta de luz exerceu a maior influência do lado das baixas no IPCA (-0,11 p.p.). A passagem aérea (-8,9%) veio na sequência do ranking de impactos (-0,07 p.p.).

Segundo o IBGE, a queda dos preços da energia reflete a entrada em vigor da bandeira tarifária verde, sem custo adicional para os consumidores. Já a carestia da gasolina está relacionada com reajustes no ICMS (imposto estadual) no início do ano, acrescentou o instituto.

Há duas semanas a Petrobras cortou em 5,2% o preço da gasolina vendida para as distribuidoras. A redução pode aliviar o IPCA de fevereiro se chegar até o consumidor final nos postos.

 

Crédito

Na busca de reduzir o índice de inflação, o BC levou a taxa básica de juros (Selic) para 15% ao ano. A Selic em patamar elevado encarece o crédito, dificultando o consumo de parte dos bens e serviços com o passar do tempo.

A decisão tende a reduzir a demanda e, assim, diminuir a pressão sobre os preços. O efeito colateral esperado é a perda de ritmo da atividade econômica, que já deu sinais no Produto Interno Bruto (PIB) deste ano.

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